Consequências da ocupação urbana desordenada

Enviada em 29/11/2020

No século XVIII, período da Primeira Revolução Industrial, surgiu a corrente literária do Arcadismo. Essa literatura tinha como ideia principal criticar as cidades e retornar à vida tranquila do campo. Analogamente, nos dias atuais, tais pensamentos ainda cercam os cidadãos, visto que a ocupação urbana desordenada tem contribuído para o desenvolvimento de impactos ambientais significativos, que refletem também em problemas sociais. Sob essa ótica, compreender esse cenário é substancial para a promoção de resoluções, uma vez que problemas na saúde pública causados pela poluição atmosférica e enchentes consequentes do acúmulo de lixo são notados.

É preciso considerar, antes de tudo, que a emissão de poluentes no ar persiste intrinsecamente relacionada à lógica capitalista. Nesse sentido, as indústrias buscam maximizar seus lucros nos centros urbanos, ainda que, para isso, ocorra o descaso com o meio ambiente e a saúde da população. Esse contexto é ilustrado pelos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a qual divulgou que 7 milhões de pessoas morrem anualmente em função da má qualidade do ar. Tal realidade vai contra uma das Metas do Milênio proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU), a qual visa garantir qualidade de vida a todos e respeito ao meio ambiente, de forma a demonstrar a urgência de medidas efetivas para minimizarem essa contenda.

É válido ressaltar, ainda, que os alagamentos são decorrentes de causas naturais ou antrópicas. Desse modo, diferente dos motivos da natureza, que ocorrem devido ao período de cheia dos rios, as razões resultantes da ação humana estão diretamente ligadas à concentração de resíduos no sistema de esgoto, de forma a impedir o escoamento da água das chuvas, principalmente em locais com muitas moradias. Prova disso é que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 8 milhões de brasileiros estão sob risco de enchentes ou deslizamentos. Tal conjuntura, em consonância com a “Causalidade” do filósofo Aristóteles, o qual salienta que para toda ação existe uma consequência, aponta para a necessidade de ações de ministérios específicos para sanarem tal problemática.

Evidencia-se, portanto, que são diversos os resultados da expansão não planejada da malha urbana. Para contrapor as situações, o Poder Executivo deve criar acordos com as fábricas nacionais, por meio de políticas que regulamentem a ejeção de gases contaminantes na atmosfera, a fim de garantir o bem-estar social. Outrossim, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, em ação conjunta à mídia, elucidar os indivíduos quanto à importância do descarte correto do lixo, por intermédio de informativos nos programas televisivos, com a finalidade de evitar mais alagamentos e garantir a segurança de todos. Destarte, morar nas cidades não será mais motivo de críticas como na literatura árcade.