Consequências da ocupação urbana desordenada

Enviada em 26/10/2019

Na obra da escritora Carolina Maria De Jesus - Quarto de Despejo- é retratada pela vivência da própria autora a realidade da favela do Canindé, no limiar do ano 1960, na qual fica claro os problemas vivenciados pela população, seja pela infraestrutura ou pelas condições precárias de saúde. Nesse contexto, observa-se que essa situação infelizmente ainda ocorre no Brasil, principalmente como impactos da especulação imobiliária crescente no país. Nesse sentido, dentre os desdobramentos dessa situação, a marginalização social e os preconceitos da sociedade civil destacam-se.

A priori, é válido salientar que a Constituição Federal de 1988 assegura aos cidadãos o direito à moradia. Entretanto, o que se observa atualmente na realidade brasileira é o aumento da marginalização social que se torna cada vez mais recorrente. Por conta disso, essa parcela populacional vê-se diante dos desdobramentos dessa situação, como a precarização das condições de saúde- falta de saneamento básico - e os perigos infraestruturais, já que a maior parte dos marginalizados habitam áreas geograficamente instáveis, como encostas de morro e terrenos predispostos a inundação. Desse modo, em virtude da macrocefalia urbana- desequilíbrio populacional e social nas relações civis - constitui um cenário caótico de dificuldade de vivência.

Ademais, pode-se afirmar que o preconceito social age como agravante à problemática. Nesse sentido, conforme o teórico Pierre Bourdieu em sua “Teoria do Habitus”, a sociedade tende naturalizar aquilo que é posto em sua convivência. Sob esse viés, fica clara a discriminação e a falta de atenção devida que essa minoria sofre cotidianamente nos centros urbanos, como exemplo disso, a precarização dos meios de transportes cujos não possuem rotas e horários acessíveis e o descaso da população para com esses cidadãos. Paralelamente, essa realidade excludente pode ser comparada ao romance do autor Aluísio Azevedo-O cortiço- o qual relata a história da vida de uma população pautada no racismo, preconceito e exclusão. Dessa maneira, é importante que sejam tomadas medidas mitigatórias com urgência.

Portanto, para amenizar o impasse desse cenário desordenado, urge que o Estado, através do Ministério do Planejamento, elabore métodos de logística eficientes para investir na melhoria infraestrutural básica dessa população, como o fornecimento periódico do saneamento básico, serviços de assistência à saúde e ampliação dos transportes coletivos os quais se adequem aos horários de trabalho desses moradores, com o fito de estar de acordo com o que prevê a Constituição Cidadã de 1988. Talvez assim, seria possível garantir que a sociedade atual não passe pelas mazelas vivenciadas na favela do Canindé pela escritora Carolina Maria de Jesus.