Consequências da ocupação urbana desordenada

Enviada em 14/09/2019

No Brasil, a ocupação urbana ainda é um transtorno atual da sociedade. Nesse cenário, é possível notar o despreparo dos municípios ao atender as necessidades básicas da população, o que gera criminalidade, desemprego e problemas ambientais. Além disso, a falta de planejamento e recursos para reverter esse quadro é um sinal de relapso e negligência do Governo.

Historicamente, a ocupação urbana no Brasil começou no período Colonial com a chegada da família real no país. No entanto, o processo de urbanização tornou-se mais acelerado a partir de 1950, devido à intensa industrialização, uma vez que as unidades fabris eram instaladas onde houvesse mão de obra e mercado consumidor. Com a modernização técnica do trabalho agrário e a substituição do homem pela máquina, o êxodo rural foi inevitável. Desse modo, os migrantes dirigem-se para as cidades e ocupam localidades com baixa infraestrutura e incapazes de receber um contingente populacional dessa dimensão. Com isso, as calamidades vão se acumulando, como o desemprego, criminalidade, a favelização, falta de saneamento, poluição e deslizamentos de terra devido à construção de moradias em terrenos impróprios.

Segundo relatório do Programa Habitat, órgão ligado à ONU, o Brasil possui cerca de 52 milhões de pessoas vivendo em quase 16500 favelas. Dessa forma, a ocupação ocorre de forma descontrolada e mal organizada, visto que não há uma política habitacional eficaz e falta fiscalização nas áreas domiciliares pelas autoridades que, por negligência, agem somente após incidentes com perdas de vidas humanas. Ademais, a maioria da população não possui acesso à educação ambiental, consequentemente, o lixo acaba sendo jogado em córregos e rios, poluindo a água e sendo causa de proliferação de doenças como hepatite, leptospirose e dengue.

Infere-se, portanto, que a ocupação urbana desordenada pode trazer diversos malefícios à sociedade. Assim, cabe ao Governo implantar projetos de moradias seguras, similares ao “Minha Casa, Minha Vida”, proporcionando lugares regulares à população, bem como realizar inspeções em áreas de risco, por intermédio de engenheiros e profissionais especializados, com o intuito de normalizar as moradias. É necessário, ainda, realizar campanhas de mídia visando a conscientização da população sobre o descarte adequado de resíduos, para evitar a poluição e proliferação de enfermidades.