Consequências da ocupação urbana desordenada

Enviada em 11/09/2019

Durante o regime nazista, em meados do século passado, o dramaturgo Stefan Zweig mudou-se para o Brasil. Impressionado com a multiculturalidade e o potencial do novo lar, o romancista escreveu uma obra cuja título é polêmico: “Brasil, país do futuro”. No entanto, quando se nota a ocupação urbana desordenada, que traz severas consequências à sociedade, percebe-se que a teoria não saiu do papel. Sendo assim, é dever do Estado encontrar soluções para mitigar os impactos de tal quadro.

Deve-se pontuar, de início, que a ocupação urbana desenfreada não é uma adversidade restrita ao Brasil: diversos países, como Chile e Argentina, por exemplo, também são atingidos por esse fenômeno hodierno. Contudo, os impactos gerados em cada nação são diferentes e dependem do desenvolvimento social e econômico. No Brasil, um dos principais efeitos gerados pelo contingente populacional é a marginalização de indivíduos socialmente desfavorecidos — como pobres e negros. Isso ocorre devido à redução de despesas que moradias em comunidades periféricas proporcionam, porém, é importante salientar que, nesses locais, os serviços básicos de saúde e higiene são negligenciados, expondo, dessa forma, os cidadãos a doenças e calamidades.

Nessa perspectiva, vale ressaltar, também, que a ocupação desordenada, quando não acompanhada do pleno desenvolvimento urbano, traz danos notórios ao meio ambiente: segundo o Ministério do Meio Ambiente, a grande concentração de automóveis e de transportes públicos — nas cidades metropolitanas — produz gases tóxicos maléficos, como o gás carbônico, não só ao homem, mas também à biosfera. Além disso, é importante ressaltar que a problemática em pauta contribui para a poluição por lixo, haja vista o descaso estatal no que concerne à distribuição de postos de coleta seletiva em bairros periféricos superlotados.

Posto isso, medidas públicas são necessárias para alterar o cenário supracitado. Dessa maneira, o Governo Federal deve modernizar os transportes públicos aderindo aos filtros coletores de gases tóxicos, como já ocorre na Suécia, Noruega e outros países desenvolvidos. Dessa forma, atenuar-se-á, a médio e longo prazo, os impactos gerados à biosfera. Em paralelo, é interessante que o Estado amplie os projetos assistenciais, como o Minha Casa, Minha Vida, permitindo aos desfavorecidos sociais a fuga de ambientes inóspitos e ausentes de dignidade humana.