Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 04/09/2021

A Alegoria da caverna, criada pelo filósofo Platão, conta a história de prisioneiros que estavam presos numa caverna, eles podiam enxergar apenas as sombras das imagens, julgando serem projeções da própria realidade. De forma análoga, os brasileiros que acompanham as mídias, estas que tratam como espetáculo, as condutas violentas, para tentar atrair o público, veem a sua realidade de forma distorcida, como os prisioneiros. Nesse contexto, a alienação do público e a criação de indivíduos insensíveis e violentos são as principais consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira.

Nesse viés, os consumidores da mídia do Brasil, ficam incapazes de pensar por si próprios, devido à persuasão dos programas violentos. Nesse âmbito, de acordo com o filósofo Émile Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade e coercitividade. Sob tal ótica, os espetáculos brutais, exercem um fato social no público, haja vista que eles podem desenvolver uma mentalidade deformada, por conta grande grosseira desses programas, cogitando que a realidade em que vivem é apenas destruição, ou seja, é uma anulação das ideias e pensamentos próprios desse humano. Destarte, esse estorvo preocupante para o território nacional, precisa ser exterminado.

Outrossim, por verem diariamente nos meios de comunicação, diversos atos de brutalidades, vários brasileiros são influenciados a terem tais atitudes. Isso fica nítido, analisando-se que na televisão brasileira a maioria das notícias é sobre roubos, crimes e mortes, dessa forma, fica-se bombardeado dessas práticas, e o cidadão pode se sentir motivado a exercer tais ações, por considerar aquilo como habitual ao redor do mundo. Isto posto, segundo o filósofo John Locke, em sua teoria da “Tábula Rasa”, o ser humano é como uma folha em branco, que é escrita à medida das suas experiências de vida. Diante de tal perspectiva, os indivíduos supracitados têm as suas folhas escritas com linhas marcadas pela fúria, e por conta disso, medidas que resolvam essa conjuntura, fazem-se necessárias.

Depreende-se, portanto, que transformações ao qual propiciem para a sociedade brasileira, a resolução desses impasses, são imprescindíveis. Assim, cabe ao Ministério das Comunicações, órgão responsável pelas mídias, regulamentar, através de uma fiscalização rígida, a quantidade de horas da programação violenta, além de, obrigar as emissoras terem avisos preventivos antes da exibição desses programas. Dessa forma o povo brasileiro, teria o seu pensamento crítico acerca da violência, transformado de forma positiva. Do mesmo modo, cabe ao Papa, figura de grande poder e influência mundial, realizar um discurso, que será transmitido para o Brasil e o mundo, via internet e Tv, falando sobre a importância da empatia e do respeito ao próximo. Desta maneira, o povo brasileiro sentirar-se tocado e terá conforme dito por Locke, a sua página escrita de maneira endireitada e consciente.