Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 19/08/2021
Divulgado pela Netflix, o filme “Nerve” demostra uma sociedade após um site de desafios on-line, o qual manda pessoas agirem de acordo com os comandos criados na medida que outros assistem pela rede. Fora da ficção, o filme demostra, em segundo plano, a questão da espetacularização pelas mídias, temática esta que se faz muito presente no momento atual. Conquanto, na sociedade brasileira, essa espetacularização ocorre com os eventos tristes e violentos do cotidiano, trazendo problemas para o desenvolvimento da nação. Nessa lógica, a normatização de tais acontecimentos e os ferimentos na saúde mental do povo brasileiro são consequências do prosseguimento da temática.
Em primeira análise, cabe ressaltar que trazer, corriqueiramente, a violência, por meio das mídias, gera um sentimento de normalidade em relação a isso. Como é de saber comum, a pandemia da Covid-19, infelizmente, fez com que fatalidades se tornassem cada vez mais habituais, por consequência, as plataformas midiáticas divulgam esses dados com uma alta frequência, gerando um sentimento de regularidade para acontecimentos tão trágicos, fato que não deveria estar acontecendo. Ainda assim, bem como ressaltou Stalin, líder soviético, “A morte de um é uma tragédia, mas a morte de milhares é estatística.”. Em suma, a superexposição de barbáridades no cotidiano das pessoas gera a impessoalidade e a frieza frente a tais fatos, retirando a humanidade das pessoas.
Por consequência, nem todos perdem somente sua humanidade, pois também abrem mão de ter uma saúde mental sã. De modo que citou o filósofo Tomás de Aquino, o medo é consequência direta da perda de fé e esperança. Mesmo sendo uma fala do século XII - doze -, ela é facilmente adaptada à questão da saúde mental durante esse período de divulgação em massa de atos trágicos, pois as pessoas perdem a esperança e a fé que tinham. Ademais, vale ressaltar o livro “Ansiedade” de August Cury, pois ele mostra que a raiz da ansiedade é o pensamento exacerbado ao futuro, produto da perda de esperança em um futuro melhor. Em síntese, é visível que outro mal causado pela espetacularização destas fatalidades é a ansiedade implantada pelo medo constante e a perda de fé da população.
Dessarte, em vista dos fatos supracitados, é notório a necessidade de uma intervenção. Para que se suavize as consequências da espetacularização da violência, problemas na saúde mental e normatização de barbáridades, urge que à mídia promover a diminuição de divulgações das habituais temáticas violentas do cotidiano, isso por meio de veículos de comunicação, emissoras de TV e demais redes sociais. Ademais, é importante ressaltar que a diminuição seria feita por substituição de assuntos violentos por outros igualmente importantes para a população do país. Dessa maneira, espera-se que os brasileiros não normatizem fatalidades nem que deixem a fé de lado, impedindo o futuro do filme.