Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 14/08/2021
No livro ‘‘A civilização do espetáculo’’, o escritor peruano Mário Vargas Lhosa discute acerca da banalização da cultura e do quanto a arte se tornou um circo na sociedade contemporânea. Isso pode ser percebido na espetacularização das notícias de casos de violência por programas sensacionalistas. Dessa forma, a constante busca por audiência e a falta de responsabilidade ao se noticiar um acontecimento trazem consequências como, a banalização da violência pela imprensa brasileira.
O caso da Eloá Pimentel chocou o Brasil em 2008. A jovem de 15 anos foi mantida em cárcere privado e morta pelo ex-namorado, Limdenberg Alves. Na época, o caso foi super televisionado, o que permitiu que o sequestrador acompanhasse toda repercussão e estratégia policial que seria utilizada para a solução do sequestro. Além disso, uma apresentadora de televisão conseguiu se comunicar ao vivo com o sequestrador, o que demonstra toda a irresponsabilidade da mídia, visto que isso poderia atrapalhar toda a negociação. Dessa forma, percebe-se o enorme papel que a mídia possui nesses casos, nas quais é função dela tratar da violência com a devida responsabilidade e sensibilidade, uma vez que também lida com vidas.
A busca por mais audiência em um programa jornalístico não se deve ao fato de que a imprensa esteja preocupada com que o telespectador fique informado sobre as notícias locais ou nacionais. E sim, apenas pelo interesse da mídia de que o programa faça sucesso. Esse fato é percebido nos jornais em que além da notícia, há também humor, piadas, personagens, apresentadores com falas sensacionalistas e a demora para de fato, dar a notícia. Assim, o grande espetáculo gerado em torno dos fatos, quando o tom de seriedade dá lugar ao humor, faz com que o indivíduo não dê importância para o real problema e normalize situações de violência e morte.
Portanto, a banalização da violência pela mídia se tornou um problema. Dessa forma, é necessário que o Ministério da Comunicação, órgão federal responsável por regular as políticas nacionais de radiodifusão, telecomunicações, entre outros, fiscalize com maior rigidez a forma com que notícias de violência estão sendo passadas para a sociedade, proibir que programas de televisão interfiram em sequestros, negociações policiais, entre outros. E, além disso criar propagandas de rádio, televisão e mídias digitais para conscientizar os público a respeito de programas e notícias sensacionalistas que de certa forma, normalizam atos de violência e a morte. Assim, haverá uma sociedade mais consciente e a violência sendo vista de fato como um problema social.