Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 13/08/2021
O famoso caso “Eloá” começou quando seu ex namorado a sequestrou, porém, enquanto a polícia tentava negociar, a televisão transmitia o que acontecia, e, o homem que acompanhava tudo, quando soube pela mídia que a polícia ia invadir, matou a menina. Dado o exposto, fica claro que a espetacularização da violência pela mídia brasileira é um problema grave. Assim, urge analisar a banalização da vida e o desenvolvimento de traumas psicológicos como principais consequências do quadro.
Nesse sentido, percebe-se que a banalização da vida deve ser analisada quando se observa a problemática. De acordo com os filósofos Adorno e Horkheimer, a indústria cultural mostra o sofrimento e a dor visando o lucro, transformando-a em mercadoria. Tal afirmação fica clara quando se observa que a mídia, na maioria das vezes, mostram a barbárie banalizando-a, apenas para fazer conteúdo e lucrar. Nesse contexto, nota-se que a espetacularização da violência pela mídia brasileira potencializa valores cruciais para a harmonia social.
Ademais, é evidente que o problema acaba desenvolvendo problemas psicológicos aos envolvidos. Consoante John Locke, filósofo iluminista, os seres humanos nascem como uma folha em branco, e ao longo de suas vidas vão formando suas personalidades a partir de suas experiências. No entanto, não se espera que um indivíduo seja capaz de formar uma boa personalidade por meio de experiências midiáticas, já que essas são em grande parte transformando a dor do outro em espetáculo. Desse modo, entende-se que é inadmissível que tal cenário continue a perdurar.
Portanto, depreende-se que medidas sejam tomadas para que o problema seja eliminado. Para isso, faz-se necessário que as redes midiáticas, produzam, por intermédio da TV e da internet, apenas conteúdos que não espetacularizem a violência - como novelas, filmes, memes e dancinhas -, a fim de adquirir uma sociedade mais saudável e menos violenta. Somente dessa forma, superaríamos o mal da indústria cultural, evidenciado por Adorno e Horkheimer.