Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 12/01/2021
O documentário “Quem matou Eloá?” retrata o papel negativo da mídia no desfecho do crime, o qual tirou a vida da jovem. Analogamente, é notável que a espetacularização de notícias violentas atua de forma prejudicial na constituição de uma sociedade justa e segura. Nesse viés, o problema se perpetua devido à exibição de imagens e à omissão governamental.
Primeiramente, é indubitável que a promoção de reportagens de cunho violento gera o impasse. No tocante a isso, o autor Guy Debord, na obra “A sociedade do espetáculo”, narra que a mídia controla a imagem, e, consequentemente, as massas sociais. Desse modo, para que a audiência seja atingida, por vezes, o jornalismo desrespeita princípios morais e apela para a dramaticidade do fato ocorrido, o que promove a atenção social. Destartee, enquanto o setor midiático continuar atuando de forma manipuladora, certamente, a população continuará alienada.
Ademais, é inegável que o descaso do governo contribui para o problema. Nesse sentido, o filósofo contratualista John Locke entende que o “Contrato Social” é violado quando o Estado não cumpre sua função irrevogável de garantir o bem-estar social. Dessa forma, a falta de projetos para combater a espetacularização da violência em forma de notícia, rompe com a harmônia social, diante do desamparo existente, que perpetua o controle midiático sobre a população brasileira. Assim, enquanto o poder estatal não agir de forma ativa, a sociedade continuará passaiva frente ao entrave.
Portanto, para combater a espetacularização de notícias de cunho violento pela mídia, medidas devem ser tomadas. Dessarte, o governo federal, por meio de políticas públicas, as quais são responsáveis por efetivar os direitos da Carta Magna de 1988, deve criar um projeto social de conscientização. Por conseguinte, o projeto será divulgado no meio social e virtual, bem como alertará a população sobre os prejuízos sociais da influência causada pela espetacularização de notícias, com a finalidade de formar a autonomia de pensamento e criticidade do povo brasileiro.