Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 30/03/2020

A violência vem sendo institucionalizada nas mídias sociais e telejornais, compartilhar o terror atiça a curiosidade alheia, atrai mais visualizações e fomenta a audiência das páginas e telejornais, os quais fazem uso dessa poderosa artimanha. A espetacularização da violência alimenta uma sociedade doente e corrobora para a reprodutibilidade do mal que observamos.

Não é de hoje que mantemos o hábito de fazer da maldade um espetáculo para os olhos, tal manobra já funcionou como demonstração de poder por civilizações antigas, como em Esparta, também era utilizada como entretenimento pelo Império Romano, o qual promovia lutas entre homens e feras, onde hoje conhecemos como Colisseu.  A exposição da violência mexe com sentimentos profundos, gera revolta e a sensação de que a justiça dos tribunais não é a melhor forma de penalização para o infrator e muitos passam a acreditar na eficácia do código de Hamurabi.

Nesse contexto, a legitimação da violência influencia até na escolha presidencial de uma nação, no Brasil, o candidato vencedor do último pleito posava para os meios de comunicação fazendo o gesto de “arma” com a mão, gesto esse que era reproduzido pelos seus eleitores em todo território brasileiro e ainda carregava como promessa eleitoral a legalização do porte de armas. Não precisamos propagandear a violência, não precisamos assistir em tempo integral e em “primeira mão” o assalto, o assassinato e o estupro.

Por conseguinte, para a proteção do telespectador não basta apenas instruí-lo a desligar a Tv ou ignorar as redes sociais é necessário um projeto de lei que determine a divisão do tempo gasto para noticiar os principais fatos, sem extensão para divulgação de crimes. Acrescenta-se ainda politicas mais duras para moderação das redes sociais, multando as páginas e advertindo usuários que divulguem fotos e vídeos de práticas violentas. Dessa forma, estaremos nos preservando do atentado psicológico promovido pelo espetáculo da violência ostentado diariamente.