Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 29/03/2020
“Só falta alguém espremer o jornal pra sair sangue”. A música “Jornal da Morte”, de Roberto Silva, expressa uma crítica à valorização da difusão de notícias violentas. Consoante a canção, nota-se que a demasiada espetacularização da violência pela mídia brasileira configura séria problemática ao gerar uma atmosfera de pânico. Diante disso, deve-se analisar as consequências desse impasse, dada a enormidade de tempo dispendida por crianças e adolescentes diante da televisão e a Cultura do Medo fomentada pelas grandes mídias.
Primeiramente, vê-se na televisão nacional uma verdadeira guerra por audiência entre as redes de emissoras, o que acarreta na redução do nível de qualidade da programação, em razão dessa disputa desatinada de mercado. Por consequência, em virtude de sua personalidade ainda estar em formação e de não ter, em geral, capacidade para distinguir entre a realidade e a ficção, o público infanto-juvenil torna-se mais vulnerável aos apelos televisivos. Diante disso, corre-se um alto risco de que as crianças reproduzam padrões de comportamento impróprios pelo fato de estarem expostas permanentemente a mensagens que relacionam a violência como forma de divertimento, atitude adequada para a resolução de problemas ou modo de adquirir status.
Outrossim, deve-se considerar o incremento da Cultura do Medo implantada por meio de um discurso do pânico ou de impunidade de forma sensacionalista pelos veículos de comunicação em massa. Mediante a transmissão de imagens chocantes, que causam revolta e repulsa no meio social, forma-se uma sociedade amedrontada, acuada pela insegurança, criminalidade e violência urbana, suscetível a manipulação. Como exemplo, pode-se citar a indústria de segurança que utiliza o medo para angariar lucros por intermédio da venda de produtos e serviços como a contratação de apólices, segurança privada, alarmes, blindagens de carros, entre outros.
Dado o exposto, urge anular as influências negativas da espetacularização da violência pela mídia. Portanto, compete ao Poder Público, por meio do Ministério da Justiça com a coparticipação de ONGs e sociedade civil, elaborar uma legislação mais efetiva, dentro dos limites constitucionais, de controle e classificação dos programas a serem exibidos. Ademais, constituindo a família uma importante instituição social, é imprescindível que essa reconheça seu papel na construção do indivíduo, assumindo uma postura responsável e cercando-se de bons exemplos para as crianças e os adolescentes, selecionando programas com mensagens construtivas acerca dos valores éticos e sociais. Dessa forma, com tais medidas, as futuras gerações crescerão com referenciais positivos de mundo colaborando para a construção de uma Cultura da Paz.