Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 30/03/2020

É inegável o poder da mídia sobre as massas, já exemplificado com o uso desta por Hitler na época do nazismo. Não muito distante dessa realidade, atualmente vê-se a crescente espetacularização da violência por esta, o que tem corroborado não só com a banalização da vida, como também servido de estímulo à formação de um caráter violento às pessoas. Dessa forma, a sociedade, mesmo que inconscientemente, pede por uma mídia mais responsável.

A princípio vale destacar que, assim como enunciado pelo sociólogo Zugmunt Bauman, os tempos modernos trouxeram relações cada vez mais líquidas e indefinidas, características essas que somadas ao caráter midiático da atualidade, têm feito com que a vida humana seja cada vez mais banalizada. Exemplo disso está no fato de que, não muito diferente do que era vivido nos coliseus romanos em que uma plateia se divertia às custas de dois homens lutando até a morte, é comum vermos circulando em canais de TV e redes sociais, videos de brigas, pessoas mortas com várias outras ao redor e práticas violentas que, ao invés de serem interrompidas, são gravadas com o intuito de gerar audiência  visibilidade. Logo, é notório que a vida perdeu o valor, empatia e o mínimo de amor pelo outro são cada vez mais negligenciados.

Além disso, em conformidade com o pensamento de Émile Durkheim, o indivíduo por natureza está submetido à códigos imperativos e coercitivos, sendo assim, a mídia exerce grande poder sobre a população e o fato de tratar a violência como um conteúdo de caráter artístico, ou seja, como espetáculo, tende a estimular a formação de pessoas com cada vez mais propensão à violência. Ademais, a aura de glória que muitas vezes, indiretamente, é dada aos agressores, desperta nos indivíduos a vontade de serem reconhecidos e repercutir no país praticando delitos do gênero, principalmente se considerar a cultura narcisista da sociedade contemporânea. Posto isto, é preciso que haja maior sensatez por parte da mídia devido ao seu caráter formador.

Em suma, é necessário que medidas sejam tomadas a fim de reverter essa espetacularização sobre a violência. De início, cabe ao Ministério Público Federal tomar a iniciativa de regulamentar o conteúdo a ser exibido pelos meios de comunicação sob pena de multa e advertência. Cabe ainda, à própria mídia o papel de produzir conteúdos com maior discernimento e responsabilidade social por meio da diminuição dessa temática no seu repertório e acrescentando tópicos que visem propriamente negar esse caráter espetacular. Dessa maneira, a população terá a chance de despertar para essa tendência banalizadora e buscar prezar mais pelos outros, desenraizando aos poucos esse apego à violência e negligência à vida.