Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 30/03/2020

A Teoria do cérebro trino foi elaborada em 1970 pelo neurocientista Paul MacLean, nela ele descreve o cérebro reptiliano, responsável pelos instintos primitivos do Homem. Nesse contexto, as corporações de comunicação do Brasil descobriram que a mente é programada para ficar mais atenta às coisas ruins e, se aproveitando disso, passou a utilizar a especulação da violência para aumentar a audiência. Entretanto, tal ato tem ligação com consequências severas, como o aumento da insensibilidade das pessoas e,concomitantemente a isso, sua subsequente massificação comportamental.

A priori, é imperioso relacionar a insensibilidade com o conceito de “Psicoadaptação”, criado por Augusto Cury. Segundo o psiquiatra brasileiro, quando o ser humano se expõe repetidamente a estímulos que o excita negativamente, com o tempo ele perde a intensidade da reação emocional. Destarte, o Homo sapiens se torna um espectador passivo de suas misérias. Nessa perspectiva, quando a mídia padroniza a divulgação de reportagens envolvendo casos de violência, ocorre que atos hediondos se tornam comuns para os espectadores. Assim, a indignação perante as ocorrências decai e a possibilidade de um possível ato transgressor cresce exorbitantemente, posto que passa a ser visto como algo normal.

A posteriori, é imperativo concatenar a massificação do comportamento com o conceito de Theodor Adorno e Max Horkheimer, exposto no livro “A dialética do esclarecimento”. Conforme os filósofos da Escola de Frankfurt, a “Indústria Cultura” busca tornar as pessoas iguais, fazendo-as perder sua individualidade, em prol de benefício financeiros. Sob esse viés, com grande parte da população perdendo sua idiossincrasia, devido ao ignóbil método manipulador da mídia brasileira, os integrantes da sociedade tornam-se fantoches, absorvendo qualquer conteúdo exposto sem o devido pensamento crítico. Dessa maneira a violência se retroalimenta pela inação da maioria dos indivíduos.

Depreende-se, portanto, a essencialidade de mudanças. Necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União (TCU) direcione capital, que por intermédio do Ministério da Educação, seja revertido na criação de palestras com o tema “Violência na Mídia”, para serem apresentadas em escolas públicas e privadas. Isso deve ser feito por meio da contratação de psicólogos, que objetivarão instruir os jovens a respeito dos malefícios acarretados pelo hábito de assistir tais conteúdos e sobre formas de persuasão utilizadas pelas empresas. Com a finalidade de desenvolver o pensamento crítico dos indivíduos, impedir uma possível alienação e ,consequentemente, reduzir a busca por tal tema. Dessa forma, a audiência decairá e a mídia brasileira não terá mais vantagens apoderando-se da Teoria de Paul Maclean.