Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 30/03/2020
O encargo jornalístico de informar a sociedade tem perdido cada vez mais sua função e credibilidade,uma vez que a especulação das notícias têm banalizado temas graves, como a violência .Isso porque, em muitos casos esses atos de violência são reportados de forma imediatista, como entretenimento e sem se preocupar com sua influência sobre o crime, os envolvidos e até mesmo seu julgamento.
Os noticiários têm se transformado em meras ferramentas de entreter seu público, retratando crimes como capítulos de novela, com objetivo primário de conseguir maior audiência, de forma imediata, sem o comprometimento com a veracidade e comprovação das informações que repassam diariamente para os telespectadores, tornando assim esses atos de violência como banais. Desse modo, deixa-se de lado a responsabilidade ética jornalística, de informar e alertar a população sobre fatos e acontecimentos, resultando na vulgaridade de crimes, podendo causar consequências não só na vida dos envolvidos, mas também da população.
Além disso, o jornalismo em nosso país, principalmente, o sensacionalista preocupa autoridades judiciais, pois, são influenciadores diretos sobre como o crime será transmitido a sociedade, podendo assim mudar o percurso de casos policiais. Como por exemplo, o sequestro da menina Eloá em São Paulo pelo namorado, que após ganhar repercussão nacional, teve em seu desfecho grande influência da mídia, que analisavam e transmitiam cada ação do sequestrador, que assistia ao vivo, tendo segundo as autoridades que cuidaram do caso um importante papel no desfecho trágico do crime.
Por isso, é necessário que nos quanto indivíduos tenhamos avaliação crítica sobre fatos e noticias, procurando veículos comprometidos com a verdade, além de implantação de punição jurídica pelo Poder judiciário para profissionais e meios de comunicação que transgridam os limites da notícia podendo influenciar no caso, para que assim se tenha uma mídia brasileira responsável e que cumpra apenas seu papel na sociedade.