Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 30/03/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, umas vez que espetacularização da violência pela mídia brasileira apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Nesse sentido, diante de uma realidade instável e temerária que mescla conflitos nas esferas da segurança  como também na visão negativa que se é passada, analisar seriamente as raízes e os frutos dessa problemática é medida que se faz imediata.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a insegurança deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil; visto que a mídia brasileira tem feito discursos distorcidos para efeitos de atração aos espectados, provocando o pânico em meio aos indivíduos. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente, pois a busca pela audiência deve ser retratada de forma sincera, sem levantar o medo para  com os demais.

Ademais, é imperativo ressaltar que a visão negativa sobre alguns casos é promotor do problema. Partindo desse pressuposto, a internet, canais de TV e rádio tem contribuído para prejulgamentos, uma vez que a narração dos acontecimentos recentes ou que ainda estão em um processo expõe a cede do imediatismo. A instantaneidade e a busca pela informação em primeira mão, muitas vezes não é levada seriamente ou noticiada da forma adequada, assim havendo informações falsas e indagando o absurdo e o julgamento das pessoas por tal caso. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que esse “espetáculo” promovido pela mídia contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar essa negatividade e informações falsas expostas, é necessário que o Tribunal do Júri juntamente com a mídia reveja com cautela tais dados que são transmitidos, valorizando a conscientização do que se é propagado, assim criando um Marco Regulatório de Comunicação, ao qual estabeleça limites para a veiculação de imagens e vídeos, com o objetivo de impedir a banalização da morte. De mesmo modo, a ocasionar uma maior segurança do que se é visto e assim diminuir o amedrontamento no corpo social. Dessa maneira, será possível um dia chegar ao padrão de “sociedade perfeita” instituída por More.