Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 30/03/2020
Durante o Império Romano, a sociedade mantinha-se entretida dentro das arenas através de espetáculos violentos entre gladiadores, assemelhando-se com o fato de que, atualmente, a mídia trata a violência como um espetáculo, em virtude da demasiada busca por audiência e perda do real intuito de informação; Roberto Silva diz em sua música “Jornal da Morte”: “só falta alguém espremer o jornal pra sair sangue”. Esse fato implica na visão que a sociedade tem em relação à violência, a qual está cada vez mais banalizada, e pode afetar até mesmo às resoluções de delitos cometidos.
A princípio, a mídia pode ser vista na Idade Contemporânea como um instrumento para propagação de ideologias e, entre essas, está a cultura do punitivismo e incitação do uso da violência em resposta da mesma. Essas ideias podem ser exemplificadas com a defesa do porte de armas e o pensamento de que “bandido bom é bandido morto” estando em proporções de uma eleição de um presidente que defende essas causas. Assim, a vida de inúmeras pessoas e a possibilidade de reintegração social dessas não são levadas em consideração, ao passo que, a violência provém de falhas nas instituições sociais e na socialização das pessoas, de acordo com Émile Durkheim.
Em segundo plano, a alta divulgação de casos de grande comoção social implicam no âmbito jurídico e investigações policiais, devido à relação do processo midiático com o desejo de justiça e imediatismo na transmissão de conteúdos. O caso de Eloá Pimentel, a qual estava mantida sob cativeiro e não foi poupada pela busca de recursos para os meios de comunicação, pode ser tratado como exemplo: uma jornalista interferiu nas ações policiais ao ligar para o sequestrador a fim de uma negociação, deixando-o mais nervoso e colocando a vida de Eloá em risco. O sensacionalismo e imediatismo midiático impedem que a forma com que as informações serão transmitidas sejam analisadas de forma que considere seus impactos.
Em suma, a mídia possui importante papel informacional e de formação da sociedade, entretanto, essa função não deve ser dispensada de sua responsabilidade social e do cuidado na forma com que se transmite uma informação. Dessarte, o Estado deve implementar um regulamento na execução do jornalismo, atentando à influência causada pelo mesmo e aos erros que vem sendo cometidos e, dessa forma, os conteúdos serão propagados de forma mais cautelosa e respeitando os Direitos Humanos. O direito da liberdade de expressão não deve ser vetado, mas sim, estar dentro de uma conscientização daquilo que ele acomete.