Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 05/03/2020
Em busca de audiência, muitos programas televisivos, principalmente jornalísticos, fazem uma espetacularização da violência através da intensa cobertura de crimes, que, muitas vezes, são transmitidos ao vivo. Com isso, a mídia potencializa a criminalidade presente na sociedade e acaba banalizando a vida por meio de um sensacionalismo barato e ausência de empatia com os familiares de vítimas.
Como exemplo, vale destacar um fato marcante que aconteceu em 2008, quando Eloá Pimentel foi assassinada pelo ex-namorado após cinco dias em cárcere privado. O caso foi explorado pela mídia intensamente como se fosse um filme de ação, inclusive jornalistas entrevistaram o sequestrador ao vivo durante o crime, uma atitude muito abusiva por parte da imprensa, já que eles poderiam influenciar no caso. Mas a questão maior é que os programas não deram importância para a vida de Eloá, que estava sob a mira de um revólver o tempo todo, e usaram a circunstância para dar ibope a emissora.
No entanto, é importante salientar que a mídia não cria a criminalidade, o que ela faz é pegar casos de violência - geralmente hediondos - e dar muito destaque, ou seja, “sensacionalizar”, o que acaba gerando uma despreocupação com a vida das vítimas e seus familiares. Recentemente, o programa Cidade Alerta mostrou um episódio muito triste e cruel, no qual entrevistava uma mãe, e, ao vivo, em rede nacional, mostraram a mulher recebendo a notícia de que sua filha foi assassinada. O jornal, ao invés de cortar a gravação, continuou filmando o sofrimento desesperador da mãe, que, inclusive, desmaiou.
Portanto, é imprescindível que a imprensa não confunda liberdade de expressão com libertinagem. Para isso, é importante que Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações; desenvolvam campanhas midiáticas que circulem por todos os canais e em diversos horários, e panfletos escolares educativos, ambos com o propósito de levantar um questionamento acerca da alienação das pessoas perante a mídia. Desse modo, todas as faixas etárias irão desenvolver discernimento capaz de identificar e denunciar programas sensacionalistas que expõem a vida de pessoas sem a menor preocupação, e, com o tempo, os casos de espetacularização da violência serão atenuados.