Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 05/03/2020

O Brasil é um dos países mais violentos do mundo, com números similares à países em guerra. Essa violência tem razões histórico-sociais muito profundas e difíceis de resolver, porém a forma com a qual é exposta pelos veículos de divulgação em massa faz-se questionar como, e o porquê daquilo estar sendo divulgado.

Acontecimentos de demasiada repercussão nacional justificam o grande aparato midiático em seu entorno devido às proporções do caso. Todavia, ocorrências locais - como uma briga de família ou vizinhos - que resultam um crime hediondo, requerem uma outra abordagem, dada a relativa proximidade dos envolvidos com a situação. Uma equipe de reportagem circundando uma pessoa que acabou de perder um parente, ou um apresentador apaticamente questionando o mesmo acerca do ocorrido, despreza o peso emocional e objetifica as pessoas do contexto, pois torna-as meros agentes de um suspense cuja única importância é o desfecho do caso.

A exposição da violência no Brasil, por meio da mídia - principalmente a televisiva - é de uma magnitude tão grande que não se limita a alguns minutos de exibição. Existem programas inteiros, que duram horas, que se dedicam exclusivamente a exibir essa violência de forma detalhada, minuciosa e sensacionalista. De início isso gera medo e preocupação, mas a exposição contínua gera indiferença e insensibilidade para com os envolvidos, o que faz parecer que a tragédia se tornou uma espécie de entretenimento.

Posto isto tem-se que a violência deve sim ser discutida e divulgada, dado que a própria é exorbitante no Brasil, porém se deve fazê-lo de forma consciente, portanto é incumbência da mídia relatar casos de violência com enfoque nas suas causas e consequências relativas à sociedade, deixando de lado a glorificação e a aflição dos atores do episódio.