Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 04/03/2020

O filósofo Guy Debord, no contexto do crescimento do capitalismo informacional no século XX, desenvolveu o conceito “Sociedade do Espetáculo” que correlaciona as relações sociais fortemente à imagem, ferramenta essencial do poder midiático. Este conceito torna-se eficaz para notar as transformações da sociedade, no qual, com o viés capitalista entranhado em diversos setores, até mesmo o direito da informação virou palco de violência sem filtro para fins lucrativos. Neste sentido, com a violência presente de forma intensa no cotidiano da população, a tendência é este comportamento se replicar, o que explica a maior ocorrência de casos de justiça com as próprias mãos e o crescimento do poder paralelo.

Em primeiro lugar, um dos fatores que influenciam à mercantilização de conteúdos impróprios pela mídia seria o reflexo da sociedade consumista e do próprio discurso capitalista, ou seja, a sobreposição do capital perante ao respeito a vida humana. Assim, a busca por audiência apela para tragédias familiares, casos de latrocínios e até os mais graves como tiroteios em lugares públicos possuem tão demasiados detalhes e entrevistas com as vítimas acometidos ao acontecimento criminal que há a repercussão procurada. Neste assunto, o filme “O Abutre” trata sobre um repórter que acompanha a rádio policial para saber com instantaneidade os locais de crimes brutais para poder gravá-los no momento do acidente, por exemplo, e vender o material para o canal televisivo da região. No entanto, compreende-se que o funcionamento das indústrias ocorrem de acordo com a demanda, o que mostra que a população em geral consome este tipo de conteúdo massivamente.

Em segundo lugar, a exposição deste tipo de conteúdo reflete no comportamento social das pessoas na qual demonstram respostas tanto com pensamentos quanto atitudes violentas. Além desta conformação se agravar com a ausência do Estado com políticas de segurança pública, culmina na justiça com as próprias mãos, caso que dimensiona a uma situação já sem controle. Por isso, como preconizado por Thomas Hobbes, a sociedade necessita de um “Leviatã”, ou seja, um Estado, que tome a medida do poder por meio do contrato social. Todavia, a quebra desse contrato geram o caos social e o também o crescimento do poder paralelo, situação na qual já se proliferou através do tráfico e milícias, sobretudo, em regiões periféricas, tendo ambos os grupos a violência como característica.

Diante disso, fica claro a presença da espetacularização da violência e o seus motivos. Cabe à Secretária Especial da Cultura promover ações pacíficas que esclareçam a violência como resposta culminadora de mais violência, através das redes sociais, para que compreenda-se que a violência precisa ser combatida e não apreciada. O combate a violência torna-se eficaz por meio da educação.