Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 03/03/2020

De acordo com Zygmunt Bauman, a velocidade é a principal marca dos dias de hoje. Nesse sentido, a rapidez que caracteriza a pós-modernidade afeta negativamente diversos aspectos da vida cotidiana, dentre eles, a relação da sociedade com o aumento da violência na mídia. Um grave reflexo dessa conjuntura é o alarmante crescimento de indivíduos agressivos, bem como a banalização da morte. Logo, é imperativo que o poder público e a sociedade se unam para enfrentar esse problema.

Para Durkheim, o indivíduo está constantemente submetido a códigos imperativos impostos pela sociedade. Desta forma, a mídia tem um papel significante na formação do indivíduo haja vista seu crescimento e importância como molde da sociedade. Porém, com o fim da censura a televisão vem perdendo a compostura. Aproveitando do conformismo do cidadão, faz uma interpretação equivocada da norma, com fim de ganhar audiência usando de uma programação que afronta o mínimo de decência. Pergunta-se: a exposição às frequentes cenas de violência pela mídia pode interferir no comportamento e nas relações sociais? Para a autoridade máxima de saúde pública “Surgeon General”, a violência na mídia tem efeitos adversos em certos membros da sociedade e principalmente nas crianças por terem baixo juízo de valor. Dessa forma, é necessário encontrar medidas para que possa coibir a exibição descontrolada de violência na mídia sem que incorra em uma censura.

Segundo a Revista Veja, em sua coluna, discorreu que “a vida humana parece ter menos valor a cada dia”. É inquestionável que a mídia tem uma participação grande nessa desvalorização, pois houve um aumento notório de programas expositivos e filmes cada vez mais violentos, contribuindo para que a morte e a violência fossem vistas como algo natural pela sociedade, pois passou a ser algo do seu convívio diário. É possível notar que após conviver com este novo modo televisivo, houve um aumento crescente de assaltos e cenas violentas no dia a dia. O Legislativo já tomou algumas providências com a inclusão do crime para autoridade que expõe o bandido na Lei 13.869 de 2019, porém ainda é necessário algo mais concreto para que ocorra um controle de tanta exposição violenta na mídia.

O controle da violência na mídia aliada a valorização da vida são, portanto, os caminhos que precisam ser trilhados pela sociedade objetivando o uso controlado do conteúdo televisivo. Para tanto, o Governo juntamente com as emissoras devem investir em mecanismos que ofereçam conteúdo com intuito de agregar conhecimento e diversão para a sociedade e com isso não estejam vulneráveis a acatar a violência. Ademais, o Legislativo deve aprimorar as leis existentes de forma que sejam mais rígidas perante a mídia televisiva por estar usando a sua liberdade de expressão de forma equivocada, transformando a vida em algo banal.