Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 02/03/2020

Em busca de audiência, muitos programas televisivos, principalmente jornalísticos, fazem uma espetacularização da violência através da intensa cobertura de crimes, que, muitas vezes são transmitidos ao vivo. Com isso, a mídia potencializa a criminalidade presente na sociedade e acaba banalizando a vida por meio de um sensacionalismo barato e ausência de empatia com os familiares de vítimas.

Como exemplo, vale destacar um fato marcante que aconteceu em 2008, quando Eloá Pimentel foi assassinada pelo ex namorado após cinco dias em cárcere privado. O caso foi explorado pela mídia intensamente como se fosse um filme de ação, inclusive jornalistas entrevistaram o sequestrador ao vivo durante o crime, uma atitude muita abusiva por parte da imprensa, já que eles poderiam influenciar no caso. Mas a questão maior é que os programas não deram importância para a vida de Eloá, que estava sob a mira de um revólver o tempo todo, e usaram isso para dar ibope a emissora.

No entanto, é importante salientar que a mídia não cria a violência, o que ela faz é pegar casos de violência - geralmente hediondos -  e dar muito destaque, ou seja, “sensacionalizar”. Os programas usam a informação de maneira exagerada e distorcida, com presença de apelo emotivo e imagens chocantes para induzir o público a compreender aquela realidade de maneira equivocada. Esse exagero midiático em cobrir mortes violentas gera um medo desnecessário na sociedade, já que, em 2019, o número de mortes violentas no Brasil teve queda de 22%, segundo o site G1.

Portanto, é imprescindível que a imprensa não confunda liberdade de expressão com libertinagem. Ao fazer isso, ela falta com respeito e senso crítico para ir além da realidade. Então, para melhorar essa situação, o Ministério da Educação deve instaurar panfletos educativos em escolas com o intuito de promover discussões acerca da alienação das pessoas perante a mídia, pois assim, elas irão criar discernimento suficiente para questionar os meios de comunicação, e denunciá-los em casos de espetacularização da violência. Desse modo, com uma grande parcela da população compreendendo a realidade, os programas sensacionalistas vão ser duramente criticados e sofrerão muita pressão, e, aos poucos, irão atenuar os casos de potencialização da violência.