Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 04/03/2020

A mídia possui o papel essencial de elevar o patamar civilizatório dos indivíduos, de modo que os princípios de harmonia social sejam disseminados na consciência pública. Contudo, no Brasil, a imprensa adota, muitas vezes, uma postura oposta à a proposta, uma vez que bombardeiam os ouvintes com informações que fomentam à barbaridade. Destarte, nota-se que a espetacularização da violência não é a melhor saída à divulgação de notícias, por isso, é fundamental destacar os efeitos dessa anomia, para que seja possível mitigá-la e fazer o país alcançar seu ideal democrático.

É sabido, em primeiro lugar, que o sensacionalismo exacerbado corrobora a banalização da vida. A quantidade de reportagens relacionadas à violência faz com que os cidadãos acostumem-se com esse quadro, gerando uma deturpação da realidade, na qual a desordem torna-se uma constante. De forma que, além de naturalizar, o ódio é interiorizado, fazendo com que os internautas percam a empatia pelo sofrimento alheio, intensificando, infelizmente, o individualismo. Exemplo disso é o programa Cidade Alerta, o qual retrata as tragédias de São Paulo, fria e pragmaticamente, impossibilitando que os cidadãos reflitam sobre a gravidade dos casos. Diante disso, é perceptível que  vida está em um processo de desvalorização, catalisado pela ação proposital e irresponsável dos meios de comunicação.

Ademais, convém ressaltar que a superexposição à fúria gere um ciclo vicioso de procura da violência. É fato que os noticiários moldam e formam o ideário coletivo da sociedade, então, esses meios tornam-se vetores de disseminação de ideias errôneas ou não. Sabendo disso, a mídia vende a anomia como um produto de audiência, tornando a brutalidade o cargo chefe das reportagens, tal situação faz com que os ouvintes ‘viciem’ nesses conteúdos. Tal dependência -criada- patrocina a investigação dessas informações, alimentando, pois, o círculo negativo da violência. Nesse sentido, nota-se que os cidadãos são diretamente afetados pela conduta da imprensa.

Torna-se claro, portanto, que as consequências da espetacularização são ruins em diversos âmbitos. Para diminuí-las é necessário que o Ministério da Comunicação (MCTIC) inspecione a veracidade e gravidade dos conteúdos que irão alcançar o público, os que forem duvidosos e fomentarem a banalização da vida deverão ser filtrados e retirados dos roteiros jornalísticos, de modo que os cidadãos não recebam conteúdos perigosos. Concomitantemente a essa ação de inspeção, o MCTIC deverá aplicar punições e restrições às empresas que negarem a vigilância das reportagens. Dessa forma, a mídia conseguirá cumpri sua função social de elevar os cidadãos a patamares civilizatórios.