Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 02/03/2020

Com a globalização, a propagação de informações tornou-se mais veloz e acessível. Logo, rapidamente todos tomam conhecimento da ideia divulgada em pouco tempo. Apesar de útil, tal habilidade pode fazer que, com o anseio de grandes jornais em conquistar as primeiras capas, as notícias apresentem cunho tendencioso ou até mesmo com informações falsas ou incompletas.

Em primeiro instante, nota-se que no Brasil, um dos grandes destaques em canais telecomunicativos são relacionados à violência. Nesse sentido, com o objetivo de ganhar a notícia, jornalistas não sensibilizam-se com os familiares e amigos da vítima, fazendo-lhes perguntas desagradáveis, em desrespeito ao luto. De forma crítica, Latuff retratou este evento em uma charge em 2013, onde um jornalista importuna uma mãe que encontra-se sobre o caixão de seu filho, com a finalidade de diminuir tal comportamento das grandes e pequenas imprensas.

Em segundo instante, a falta de profissionalismo de jornalistas pode também comprometer o trabalho da polícia, como no caso do sequestro e morte da jovem brasileira Eloá, que foi feita refém de seu ex-namorado. Os jornais de todo o país fizeram da tragédia uma pequena telenovela, atrasando, assim, a investigação, além de desprezar o sentimento da família e banalizando o sofrimento da jovem.

Em decorrência disso, cabe ao Governo Federal e a mídia a tarefa de reverter esse quadro com a divulgação de notícias consciente e humanitárias, sem ferir os envolvidos. Outrossim, cabe à sociedade a não consumir publicações que desrespeitem os diretos e o psicológico dos retratados e denunciem o jornal a polícia. Com esses atos, as consequências da espetacularização da violência pela mídia deixará de ser uma realidade no país.