Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 28/02/2020

A Revolução Técnico- Científica-Informacional proporcionou a dinamização da mídia, essa que alcança o mundo globalizado de maneira acelerada com intermédio de meios como a internet. Já no que se refere a indústria midiática brasileira, nota-se atitudes não profissionais que priorizam a visibilidade e não a verdade ou a fonte jornalística. Dessa forma, a ausência do cumprimento do dever ético pela mídia brasileira transforma a noticia em espetáculo, o qual favorece a banalização da violência, além de influenciar o julgamento cívico negativo que antecede o jurídico.

Em primeiro lugar, a superexposição dos veículos de informação contribui para normalizar atos brutais. Como expões o neurofisiologista Giacomo Rizzolatti o cérebro humano possui neurônios espelho que reproduzem as cenas vivenciadas no subconsciente. Sendo assim, a os veículos de comunicação ao noticiar de maneira frequente e com sensacionalismo casos de estupro, assassinatos e assédios satura a percepção de crueldade, o que dificulta a formação do ideal coletivo de revolta e busca por mudanças, por meio de manifestações populares. Em suma, o noticiário necessita de uma propagação com uma revisão crítica para que a população reivindique melhorias nos índices de violência.

Ademais, a teatralidade dos meios de difusão de informação em casos que ainda não foram encaminhados ao parecer jurídico acarreta preconceito cívico. Como explica Aristóteles “O homem é um animal social”, destarte o posicionamento midiático colabora para a criação de uma opinião prévia em grupos sociais, pois o homem busca a adequação a um ideal comum para alcançar a própria plenitude. Para exemplificar, em um cenário hipotético, o jovem João é suspeito de um assassinato, este é exposto na mídia de modo teatral como culpado, o que gera revolta na população de sua moradia e discriminação contra ele, porém o julgamento ainda vai ocorrer e por acontecer em liberdade o jovem vivência o preconceito em sua comunidade.

Portanto, a espetacularização faz com que os cidadãos se conformem com a violência e também fundamento o preconceito cívico. Para amenizar tais problemas, a priori, o Ministério da Ciência, Tecnologia, inovações e comunicações deve elaborar a criação de um aplicativo para smartphone, esse que classifique os meios de comunicação e também possua orientações de matérias equivocadas, por interlúdio da análise de jornalistas selecionados e não filiados a jornais, tal aplicativo deve ser difundido pela imprensa nacional para uso popular, além de propagado no ensino fundamental em matérias de educação digital com o intuito de formar discentes com uma visão crítica sobre o sensacionalismo; por fim o Mistério da Justiça e Segurança Pública deve garantir a integridade física e moral dos suspeitos em julgamento, mediante ações de contra informação a exposta pela mídia, essa deve ser publicada no diário oficial e jornais da localidade do suspeito e deve o abster de culpa até o fim do processo legal.