Conflito do século XXI: por que os casamentos se tornaram descartáveis?

Enviada em 26/05/2022

A obra “Senhora”, composta pelo escritor José de Alencar, retrata os problemas de um casamento que obtinha uma intenção monetária, contratual, não amorosa. Paralém deste cenário, a construção de um novo conceito de casamento, estruturado em intenção de estabilidade financeira, a garantia de desistência possível e facilitada, e a romantização do que é o amor conjugal, promulgam em nosso século uma falsa ideia de preparo para o matrimônio que não perdura no início de suas dificuldades.

Primordialmente, a População Economicamente Ativa (PPA), que compõe a maioria da classe matrimonial atual, ao conquistar a facilitação do processo de separação conjugal “desafoga” uma série de relacionamentos que desde antes já apresentavam fragilidade e superficialidade, tal qual o conceito apresentado pelo sociólogo Zygmunt Bauman. O “boom separatista” sequencia uma série de famílias e agora, uma nova geração, que cresce menos amparada parentalmente, e menos crente na eficácia de um casamento.

Análogo à isso, tal conquista vista a longo prazo subdivide-se em duas principais consequências: a romantização superficial do casamento, e a total descrença e ressignificação do relacionamento como um contrato. Inicialmente, é mister destacar o papel das mídias sociais com o intuito de modular o pensamento da geração, destacando um casamento que só é bom quando imaculado, aliado ao conceito de liberdade que só se concretiza na separação, ou na vida solteira. Por consequência, a projeção de um relacionamento, e de um parceiro “midiático”, contribui para uma frustração dentro do casamento, que amparado pela legislação, facilmente se dissolve, e reforça o posicionamento dos descrentes.

Portanto, faz-se necessário a atuação do Ministério de Educação e Cultura dentro das escolas e universidades, trazendo debates sobre temáticas de relacionamentos realistas para dentro desses espaços. Tal ato pode ser realizado através de histórias ilusórias aos anos inicias, e para os mais velhos, a presença de palestrantes casados reais, que possam repassar suas experiências e contribuir assim para a composição de um conceito de casamento nem ilusório e facilitado, nem carrasco e impossível, como o casamento de Senhora ao longo da obra.