Conflito do século XXI: por que os casamentos se tornaram descartáveis?
Enviada em 02/06/2022
Funcionando conforme a Terceira Lei de Newton, a qual afirma que para toda força de ação existe uma de reação com a mesma intensidade, a fragilidade das relações conjugais, atualmente, no Brasil, consequentemente, corrobora a descartabilidade dos casamentos. Nesse sentido, tal problemática pode causar efeitos negativos na harmonia social. Pode-se dizer, então, que a independência feminina e a modernidade líquida que a sociedade presencia nos dias atuais são os principais responsáveis pelo impasse.
Em primeiro lugar, vale destacar que liberdade de escolha que as mulheres conquistaram nos relacionamentos fomenta a perpetuação do quadro. Isso porque, ao longo da história a figura feminina sempre foi associada com a submissão, uma vez que as parceiras eram “obrigadas” a aceitar o comportamento masculino, como por exemplo as traições, somente para manter o casamento. Dessa maneira, o movimento feminista do século xx ajudou a mitigar essa infeliz realidade, haja visto que hoje a opinião da companheira é importante para a estabilidade de um casamento. Assim, hodiernamente, as mulheres podem escolher o divórcio com mais facilidade, o que os torna “descartáveis”.
Ademais, é licito postular o conceito de “modernidade líquida” do sociólogo Zygmunt Bauman, que afirma que as relações pessoais estão cada vez mais frágeis e efêmeras. Nessa óptica, os indivíduos habituados com a fluidez da vida moderna, não toleram os problemas de um relacionamento, pois, muitas vezes, ele demanda paciência e compreensão dos envolvidos, habilidades que, de acordo com o sociólogo, não são comuns no mundo contemporâneo. Por isso, o divórcio se torna uma ferramenta útil para os casais do mundo íquido.
Infere-se, portanto, a necessidade de se combater a descartabilidade do casamento no Brasil. Logo, urge ao Ministério da Educação incluir na BNCC ( Base Nacional Comum Curricular ) das escolas no país, a matéria de inteligência emocional, com o fito de desenvolver as habilidades, como a paciência e a empatia, nos indivíduos, para que as pessoas adquiram a capacidade de resolver os impasses de uma relacionamento de maneira correta e responsável, sem precisar recorrer à separação.