Conflito do século XXI: por que os casamentos se tornaram descartáveis?
Enviada em 05/06/2022
Na peça teatral “A Megera Domada”, William Shakespeare, escritor inglês, satiriza a hegemonia do sexo masculino e a sociedade tradicional de costumes sexistas. Na perspectiva do cenário brasileiro, tais ideais do passado, no geral, foram superados. Não obstante, desenvolveu-se o conflito do porquê, na atualidade, de os casamentos terem se tornado descartáveis. Com isso, é crucial analisar a cultura de liberdade e gênero através dos séculos e sua contribuição para o hodierno.
Nesse sentido, em primeira análise, é fulcral compreender como a cultura e o tempo se relacionam no contexto das relações humanas. De acordo com Aristóteles, filósofo grego, o indivíduo estaria propenso à felicidade e liberdade se houvesse meios sociopolíticos para isso. Em ditos atuais, pode-se inferir que a tradição da esfera em que se vive determina os costumes morais da população e suas interações para com o outro ou consigo. Assim, o direito de escolha das pessoas, através do tempo, é alterado de acordo com as conquistas sociais a respeito do tradicionalismo, como nos direitos civis, matrimônio e anseios.
Em segunda análise, também é crucial entender como tais mudanças influenciam nos dias atuais. Segundo a socióloga Ângela Davis, em sua obra “Mulheres, raça e classe”, a luta do movimento feminino ao longo dos séculos produziu uma pedagogia de libertação no que se refere ao contexto latino-americano. Ou seja, as conquistas das mulheres foram responsáveis pela construção de novos ideais. Portanto, costumes como obrigações caseiras e matrimoniais foram, em grande parte, superados e a aquisição da autonomia nas escolhas fixou-se no cotidiano da nova dinâmica na sociedade hodierna.
Dessarte, o conflito dos casamentos menos duradouros não é uma anomia, mas sim uma conquista. Dessa maneira, para manter tais aquisições, cabe ao Ministério da Educação, em sua função de prover a liberdade crítica no ensino, inserir na grade curricular das instituições pedagógicas o reforço de estudos sociais, por meio de debates acerca da relevância da individualidade dos sexos nas relações humanas, Nesse viés, as comunidades e grupos, bem instruídos, poderão dar continuidade à garantia dos direitos sociais e escapar de tradicionalismos sexistas, como o ironizado na obra shakesperiana.