Como lidar com o medo atômico?

Enviada em 28/08/2019

Em 1945, Hiroshima foi arrasada por uma bomba de urânio e Nagasaki, em seguida, por outra de plutônio. Em 1979, houve o acidente na usina de Three Mile Island, na Pensilvânia. Em 1986, em Chernobyl, cujos efeitos ainda se faziam sentir uma década após, quando se detectaram cerca de 800 casos de câncer de tireoide em crianças da região que na época do desastre eram bebês.

A Europa pensa agora em rever seu sistema de segurança nuclear. Suíça, Alemanha e Índia já puseram um freio na expansão de seus programas. EUA e Rússia, não. O presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Edson Kuramoto, reforça o argumento de que nossas usinas não oferecem perigo.

Porém, o professor José Goldemberg diz: “A energia nuclear é um eterno perigo, ela não vale o risco.” O secretário de Ambiente do Rio, Carlos Minc, depois de lembrar que já houve 16 acidentes leves e médios em Angra 1, adverte: “Não existe risco zero. O Brasil não tem cultura de prevenção.” Também o físico Luiz Pinguelli Rosa aconselha a se ter “muito cuidado”.

Todo alarmismo, seja nuclear, ambiental, político, econômico ou médico, fomenta o medo irracional.A energia nuclear tem sido historicamente associada tanto a um medo apocalíptico como a uma esperança salvadora. O medo nuclear pode ser especialmente problemático.

Encontrar novas formas de levar ao público informações sobre as questões relevantes, sem dependência excessiva de imagens simbólicas, seja do apocalipse ou da salvação, deve ser um dos principais focos da indústria nuclear mundial.