Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 03/10/2022
Em um episódio da série de TV britânica aclamada pela crítica Black Mirror, há um “parque de diversões” onde os criminosos são direcionados e sua tortura é vista como uma atração pública. Da mesma forma, a violência contra criminosos é bem recebida por muitos no Brasil. Embora a sociedade brasileira precise de uma sociedade mais justa, o desejo de vingança levou a uma sociedade mais injusta e, portanto, é um paradoxo.
Em primeiro plano, uma sensação de impunidade alimenta o desejo de fazer justiça com as próprias mãos. Isso se deve em grande parte ao ditado popular de que a maioria dos infratores fica impune e, quando o faz, a reincidência é alta. Segundo pesquisa recente da Comissão Nacional do Poder Judiciário (CNJ), 70% desses ex-reclusos reincidem. Dessa forma, a população não acredita na situação atual e vê o fracasso do poder estatal em resolver o problema e tenta resolvê-lo sozinho.
Entretanto, o ato de realizar “justiça” por si próprio implica em uma série de injustiças, Além de ser ilegal,e portanto um crime, frequentemente o criminoso acusado não cometeu nenhuma infração. Como no famoso caso da “Bruxa de Guarujá”, em que foi compartilhado um boato nas redes sociais, no qual uma mulher estaria realizando bruxaria e sequestrando crianças. Em seguida, diversos moradores a perseguiram e a agrediram até a morte. Apesar do ocorrido, nenhum dos moradores sofreu punições pelo estado. Diante disso, tem-se um paradoxo, pois ao tentar fazer “justiça” sozinho, comete-se diversas injustiças.
É evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver essa problemática. Assim, o Ministério da Justiça em parceria com grandes canais de comunicação, deve realizar programas televisivos com a presença de juízes, advogados e ex-presidiários, a fim de educar a população sobre a importância da justiça penal e de seus benefícios. Isso implicará na valorização dos processos penais. Para que dessa forma se extingue com a “espetacularização” dessa problemática, tão criticada na famosa série britânica.