Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 29/09/2022

Na teoria do filósofo Thomas Hobbes, autor da obra “O Leviatã”, o homem é o lobo do próprio homem, sendo necessário um Estado que controle esse “estado de natureza”. Não distante desse pensamento, a carência de justiça na sociedade brasileira remete a uma série de atos “vigilantes” e violentos da própria população, que aclamam por mudanças na segurança pública atual. A mídia por sua vez, também contribui incitando a violência por meio de notícias sensacionalistas.

Em primeiro plano, a sensação de impunidade contribui para a vontade de realizar justiça pelas próprias mãos. Isso deve-se principalmente ao dito no senso popular em a maior parte dos criminosos não são punidos e quando são, existe um alto número de reincidência. De acordo com estudos recentes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no qual 70% dos ex-presidiários voltam a cometer crimes. Dessa forma população, descrente ao cenário atual, e ao ver que a força estatal não tem tido êxito na na solução dessa problemática, tenta resolve-la por si.

Entretanto, o ato de realizar “justiça” por si próprio implica em uma série de injustiças, Além de ser ilegal,e portanto um crime, frequentemente o criminoso acusado não cometeu nenhuma infração. Como no famoso caso da “Bruxa de Guarujá”, em que foi compartilhado um boato nas redes sociais, no qual uma mulher estaria realizando bruxaria e sequestrando crianças. Em seguida, diversos moradores a perseguiram e a agrediram até a morte. Apesar do ocorrido, nenhum dos moradores sofreu punições pelo estado. Diante disso, tem-se um paradoxo, pois ao tentar fazer “justiça” sozinho, comete-se diversas injustiças.

É evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver essa problemática. Assim, o Ministério da Justiça em parceria com grandes canais de comunicação, deve realizar programas televisivos com a presença de juízes, advogados e ex-presidiários, a fim de educar a população sobre a importância da justiça penal e de seus benefícios. Isso implicará na valorização dos processos penais. Para que dessa forma se extingue com a “espetacularização” dessa problemática, tão criticada na famosa série britânica.