Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 08/09/2022
Bruce Wayne, órfão que perdeu seus pais para criminalidade da sua cidade, “Gotham”, e, por isso, utiliza o dinheiro da sua família para agir como um justiceiro durante a noite com o nome de “Batman”. Embora fictício, esse personagem, que um é fenômeno da cultura pop, demonstra como a tentativa da mídia em controlar os indivíduos e lucrar com a criminalidade da sociedade promove a banalização da violência e da justiça com as próprias mãos. Sendo assim, é fundamental que a população seja alertada das estratégias e dos perigos dos meios de comunicação.
Por esse viés, é evidente a tentativa da mídia em utilizar os horrores da sociedade como ferramenta de controlar as massas. Nesse sentido, Jurgen Habermas aborda o conceito de “agir instrumental”, isto é, a utilização da fala como meio de dominação e eficiência, desprezando as relações afetivas. Com isso, a indústria cinematográfica na tentativa de popularizar seus produtos exalta a violência a exemplo de “GTA”, famoso jogo, no qual sua trama envolve controlar criminosos e ladrões de carros. Posto isso, a normalização dessas barbáries desencadeia a diminuição do sentimento de empatia e coletividade.
Outrossim, com a internet há uma recorrência cada vez maior de matérias sensacionalista. Nessa perspectiva, Hannah Arendt cunhou o termo “banalidade do mal”, para a filósofa o mal tornou-se comum e demonstra a incapacidade da população em fazer julgamentos morais. Dessa forma, a proliferação de discursos que defendem a justiça com as próprias mãos é perigoso, pois, devido à falta de análise crítica são incorporados pela população. Assim, é fulcral o combate a esse ciclo de ódio para que menos indivíduos sejam inspirados pela história de “Bruce Wayne”.
Destarte, é mister que as escolas, enquanto agente responsável por transformações sociais, fomente a criticidade dos discente, por meio de aulas e de palestras que alertam sobre os mecanismos de convencimento utilizados nas propagandas, nos filmes. Além disso, é importante que o Estado efetive o Marco Civil da Internet, punindo os discursos criminosos, que incentivam a violência. Tudo isso, a fim de que seja formada uma sociedade menos manipulável, dessa forma, diminuindo a violência e o número de justiceiros sociais.