Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 20/07/2022
Ao refletir sobre a mídia no Brasil, é possível perceber que ela possui grande poder de influência sobre a população. Supõe-se que o jornalista necessariamente sabe mais, podendo instruir sobre aspectos políticos e legais. Isso contradiz os fatos, pois, na realidade, costuma ser tão leigo quanto seus espectadores, o que ocasiona em conselhos inadequados e por vezes incitação a violência.
Preliminarmente, cumpre destacar que, além de habilidades técnicas referentes à apresentação, na escrita e fala, não se exigem outros saberes do profissional de mídia. Em outras palavras, ele não é obrigado nem esperado a saber a fundo o que diz. Seguindo esse sentido, sua função, originalmente, seria apenas comunicativa. Contudo, em grande parte das áreas, atualmente ocorre uma informalização no jeito de interagir. Segundo dados da UNESP (2019), no Brasil, a norma culta caiu tanto em desfavor que, até mesmo nos ambientes sérios em que seu uso seria normalmente imperativo, hoje, é secundário ao falar popular. Nos tribunais de justiça, nas entrevistas de emprego, nos atendimentos médicos e comunicações jornalísticas, fala-se cada vez mais de maneira menos objetiva e clara.
Em decorrência dessa atitude, há a possível distorção dos fatos, não somente por mal uso de normas linguísticas, mas também por uma tentativa de se criar aproximação em relação a quem ouve, independentemente do resultado. Por exemplo, houve matéria do O Globo de 2021 que versava sobre os direitos da comunidade LGBT e os desafios que enfrenta. Nela, o jornalista, com o intuito de se tornar “amigo” dos leitores, foi além do objetivismo. Ele assumiu uma posição agressiva ao declarar que, não por meio de conversas, mas por violência, que se poderia alterar o cenário. A população, já com sua tendência ao fanatismo, é alvo fácil desse tipo de comentário e acaba por obedecê-lo e divulgá-lo. Isso por sua vez empodera o repórter, incentivando-o a seguir com seu extremismo.
Diante do exposto, pode-se concluir que os jornalistas, em grande parte dos casos, são tão leigos quanto a população, logo, incapazes de oferecer conselhos de qualquer natureza. É imprescindível que se atenham ao professionalismo, sempre falando de maneira imparcial e, quando possível, atendo-se à sua competência primária que é a de comunicar, deixando o ensinamento para acadêmicos.