Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 11/07/2022
A música “Que país é este? ”, da banda Legião Urbana, no trecho: “ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”, faz denúncia acerca de diversos problemas sociais, entre os quais destacam-se a incitação da violência e da justiça com as próprias mãos. Esse problema é causado, principalmente, pela ineficácia governamental e pela má influência midiática .
É lícito referenciar, a princípio, o jornalista Gilberto Dimenstein, que, em sua obra, “Cidadão de Papel”, retrata um cidadão com direitos adquiridos, porém não usufruídos, isso pela falta de condições oferecidas pelo Estado. Desse modo, no Brasil, pode-se perceber que o cenário proposto pelo jornalista pode ser aplicado ao incentivo da violência e do aparecimento de “justiceiros”, uma vez que a ineficiência governamental faz com que não haja projetos efetivos de combate a esse tipo de movimento e, também, não penaliza as mídias por conduzir indivíduos a essa linha de pensamento.
Além disso, de acordo com o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Percebe-se, então, que a mídia, em vez de proporcionar discussões que aumentem o nível de informação da população acerca dos malefícios de práticas violentas e de movimentos como a justiça com as próprias mãos, induz as decisões desses indivíduos apoiada em seu próprio interesse. Isso porque a mídia se beneficia com polêmicas, uma vez que esse tipo de acontecimento aumenta a audiência e, consequentemente, gera mais lucro. Percebe-se, então, a mídia indo de encontro ao cenário descrito por Pierre Bourdieu.
Portanto, para diminuir as práticas violentas no Brasil, o governo federal deve instituir um comitê gestor para direcionar mais verbas a projetos de fiscalização e para campanhas informativas realizadas por meio de curta-metragens e de vídeos lúdicos. Diante disso, os conteúdos serão disponibilizados gratuitamente em plataformas de fácil acesso, como o Youtube. Isso será feito a fim de remediar não somente a ineficiência governamental, mas também o silenciamento midiático.