Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 10/09/2021
A série “Bandidos na TV”, produzida pela Netflix, retrata a vida polêmica de Wallace Souza, apresentador amazonense acusado de matar pessoas para criar reportagens em seu programa jornalístico, em razão do aumento do índice de audiência. Não distante da ficção, a mídia usufrui do seu poder sobre os espectadores para incitar a violência e a justiça com as próprias mãos. Nesse contexto, não só a ausência da ética jornalística, mas também o pensamento arcaico enraizado na sociedade brasileira, mostram-se como principais causas da problemática.
Sob essa perspectiva, é importante ressaltar a ausência da ética jornalística nos veículos midiáticos do Brasil. O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, conjunto de normas que regem a atividade do jornalismo, tem como base o direito fundamental do cidadão à informação, prezando pela veracidade dos fatos e pela imparcialidade, devido à responsabilidade social da profissão. Contudo, os profissionais do setor midiático não cumprem com os seus deveres, uma vez que nota-se a manipulação dos meios de comunicação em detrimento do aumento de audiência, a partir da distorção dos fatos noticiados e do uso de tais veículos para a formação de opinião. Sendo assim, é inaceitável que tal lacuna faça parte do cenário brasileiro, já que agrava a violência e, também, aliena os espectadores.
Além disso, outro fator que contribui com a permanência de tal fenômeno é o pensamento arcaico enraizado na sociedade brasileira. Segundo Noam Chomsky, sociólogo estadunidense, os Estados não são agentes morais, mas sim as pessoas que os compõem. Ou seja, no que diz respeito à incitação da violência por parte da mídia e à reprodução pela população, tal ação revela apenas o subconsciente violento e refém de ideologias antíquadas, como a Lei de Talião, que consiste na reciprocidade do crime e da pena, ou seja, na retaliação. Dessa maneira, é inadmissível que tal comportamento seja banalizado, visto que traz consequências gravíssimas, como o aumento de linchamentos e o descontrole da segurança pública.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de medidas interventivas para amenizar o fito da questão. Para isso, o Estado, em parceria com o Ministério da Educação, deve promover o desenvolvimento da ética e do senso crítico, por meio de debates e palestras nas escolas, pois a educação é o maior instrumento de mudança social. Ademais, é necessário que o Conselho Federal dos Jornalistas (FENAJ), fiscalize rigorosamente o exercício da função pelos profissionais brasileiros, para garantir a integridade do povo. Desse modo, com cidadãos com a ética e o senso crítico desenvolvidos, será possível que a mídia não os alienem e manipulem, além de erradicar a ideia de justiça com as próprias mãos do Brasil.