Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 01/08/2021
A chegada da família real portuguesa na colônia brasileira, em 1808, trouxe importantes ferramentas de desenvolvimento para o território, como a imprensa. Sob essa ótica, a mídia é um objeto para produzir progresso para o país, pois ajuda a democratizar a informação, porém também pode ser usada para incitar a violência na sociedade. Sendo que o poder da manipulação de opinião e a banalização de atos violentos nos meios midiáticos são fatores que colaboram para o agravo dessa problemática.
Em primeiro lugar, é relevante ressaltar o caso da morado do Guarujá, Fabiana de Jesus, que foi linchada e morta pela comunidade, depois de ser confundida com um retrato de uma abusadora de criança divulgado pela mídia. Nesse contexto, é indiscutível que a mídia é uma ferramenta poderosa para persuadir e moldar a forma de pensamento que um sujeito tem sobre um fato ou acontecimento. Desse modo, a exploração sensacionalista de fatos violentos pode causar sentimento de comoção e revolta social e, assim, incitar a necessidade de se fazer justiça com as próprias mãos, como no caso da moradora do Guarujá.
Ademais, segundo Thomas Hobbes, filósofo inglês, é dever do estado promover o bem-estar social. No entanto, a banalização da violência na mídia, ou seja, a espetacularização de atos agressivos e bárbaros como algo corriqueiro de acontecer no meio social, influencia na instalação de medo e insegurança diante do poder do estado em promover a segurança social. Dessa maneira, forma-se um ambiente de pânico diante da sensação de o estado não assegurar a proteção a vida do cidadão afetando, assim, o bem-estar da sociedade.
Inferem-se, portanto, problemas relacionados ao uso da mídia para incitar a violência. Por isso, o Ministério da Educação, por meio de palestras feitas por psicólogos no ambiente escolar, deve organizar debates com a comunidade e alunos sobre o poder da imprensa na formação de opinião do indivíduo, a fim de alertar os sujeitos a serem mais criteriosos no momento de escolher qual programa irá assistir. Espera-se, com isso, conscientizar os cidadãos e, consequentemente, diminuir a audiência de programas midiáticos que fomentam a violência.