Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 13/01/2021

A frase do filósofo contratualista Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do homem”, representa a violência e o caos existente entre os indivíduos antes da origem do Estado por meio do contrato social. Apesar de apresentar o homem em uma condição próxima a de animal, essa ideia tem sido retomada pela mídia brasileira quando esta incita a violência e a justiça com as próprias mãos. Tal problemática acontece pela imitação dos meios de comunicação de massa e pela disseminação da cultura do ódio nas redes sociais.

Inicialmente, de acordo com os teóricos da Escola de Frankfurt, os meios de comunicação de massa se tornaram propagadores de padrões e atitudes que devem ser imitados pela sociedade. Nesse sentido, vários filmes e séries produzidos por essa indústria, como o Justiceiro, da Marvel Comics, no qual o protagonista busca vingar o assassinato de sua família, divulgam atos de violência e justiça com as próprias mãos são divulgados de maneira romantizada e poderosa. Assim, os indivíduos ao assistir e sentir o poder transmitido pelo protagonista podem tentar imitar e gerar consequências prejudiciais à sociedade, como mortes de inocentes.

Ademais, as próprias redes sociais têm disseminado amplamente a cultura do ódio, da violência e da justiça com as próprias mãos: muitos usuários divulgam comentários absurdos e esquecem que a liberdade de cada um termina onde começa a do outro, segundo o filósofo Herbert Spencer. Nesse contexto, para Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para se tornar um instrumento de democratização, não deve ser convertido em mecanismo de opressão. O que evidencia a propagação da justiça com as próprias mãos e da violência.

A partir disso, com o fim de superar a influência da mídia quando o assunto é incitação de violência, é papel do Governo Federal conscientizar a população, por meio da divulgação de propagandas nas próprias mídias, sobre a ilegalidade da violência e da justiça com as próprias mãos. Somente assim, o Brasil superará totalmente o estado de natureza da teoria de Hobbes e os indivíduos deixarão o lado animal.