Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 30/12/2020
A mídia sempre teve uma importante participação na formação da opinião popular. Seu poder de induzir ações coletivas já foi utilizado por diversos líderes mundiais, como Getúlio Vargas e Adolf Hittler. Dessa forma, a mídia expõe um cenário no qual a ineficiência do Estado, aliado ao aumento da criminalidade, deixa o cidadão totalmente vulnerável e o convence ser o único responsável pela sua segurança.
Nesse contexto, é inegável o potencial midiático em fomentar sentimentos de revolta e injustiça. Atualmente, são inúmeros os programas de TV e Youtube que exibem cenas de violência cotidiana e desfechos que, devido à brechas na lei, permitem a impunidade do criminoso. Segundo, Emily Durkhein, sociólogo, tal fato caracteriza um estado de anômia social, no qual a sociedade perde a crença nas instituições públicas e busca justiça de forma autônoma.
Outrossim, reações violentas contra criminosos, quando bem sucedidas, são expostas e exaltadas pela mídia, encorajando o surgimento de justiceiros sociais. De acordo Jonh Locke, filosófo, o Contrato Social garante a desobeciência civil quando o Estado não for capaz de cumprir seus deveres com seus governados. Sendo assim, o cidadão motivado não espera uma resposta pública e, tendo sua ação legitimada pela mídia, age de forma violenta em nome da justiça, perpertuando a questão.
Destarte, infere-se que é necessário resgatar a crença do povo nas instituições públicas. A fim de evitar que esse embate continue, a Câmara dos Deputados, juntamente ao Senado Federal, por meio de uma reforma no código civil, deve impor leis mais duras para crimes violentos, respeitando os direitos humanos, e punir com rigor os criminosos, desistimulando, assim, a reação de populares e diminuindo o matérial para a atividade midiática sobre o assunto. Ademais, para desencorajar tais programas e preservar a liberdade de expressão, deve-se taxar com impostos aqueles que pretendam exibir cenas violentas na mídia. Assim, ameniza-se o sentimento de insegurança e aumenta-se a fé nas leis.