Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 02/12/2020
Desde a criação dos primeiros jornais, programas de rádio e televisivos percebeu-se que a mídia tornar-se-ia um dos alicerces sociais. Além disso, notou-se que a partir dela poderia-se persuadir a população, sendo assim moldar-se-ia a mentalidade dos cidadãos da maneira desejada pelos governantes e poderosos econômicos. A fim de comprovar o que foi dito, pode-se analisar o Governo de Getúlio Vargas que aumentou sua popularidade após a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Desse modo, faz-se relevante abordar o poder alcançado pelos veículos midiáticos, bem como dissertar sobre a maneira que a mídia convence os próprios cidadãos a serem justiceiros. Em primeira análise, torna-se essencial citar os anos de 2015 e 2016 como exemplos, já que nesse período foram registradas inúmeras manifestações com intuito de ocasionar o impeachment da então presidenta do Brasil. Logo, é importante ressaltar o papel fundamental desenvolvido pela mídia brasileira, tendo em vista que, indiretamente ou diretamente, eles incitaram o povo - com propagandas, por muitas vezes, tendenciosas - para irem às ruas em busca de uma nação melhor. Ademais, durante algumas reportagens disseminava-se o ódio contra a figura da presidenta e sua ideologia, então, motivados por esse sentimento diversos grupos tinham a vontade de fazer justiça com as próprias mãos, e por conseguinte, organizavam grandes protestos em locais estratégicos, ou seja, com maior visibilidade. Tal fato demonstra, a “sede” pessoal de cada um por transformação e justiça.
Em segunda análise, transfigura-se como imprescindível mencionar o linguista americano Noam Chomsky e a obra de Guy Debord, Sociedade do Espetáculo. Analogamente, tanto livro quanto estudioso sentenciaram a mesma afirmação, isto é, ambos descreveram a mídia como a instituição mais poderosa na sociedade atual. Portanto, eles explicitaram o elevado domínio que tal meio tem sobre as mentalidades humanas. Diante dessa conjuntura, Noam expôs 10 formas existentes para induzir os habitantes a tomarem certas atitudes. Para exemplificar uma delas, pode-se observar as diversas notícias relacionadas a linchamentos de assassinos. A maioria ocorre por apoio da comunicação que transmite uma sensação de ódio referente a essa pessoa e, assim, os demais seres humanos buscam justiça com as próprias mãos.
Frente a conjuntura apresentada, é dever da sociedade civil buscar uma “abertura de mentalidade”, por meio da desalienação televisiva e com o aumento de literaturas sobre os mais variados temas, além de buscar informações em diferentes sites de noticiais. Tais ações têm como objetivo permitir para as pessoas um maior conhecimento, o que, por consequência, diminuiria a facilidade com que os indivíduos são manipulados. Reduzindo assim o monopólio de persuasão criado a décadas atrás.