Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 05/07/2020

Em oposição ao posicionamento positivista de Durkheim, Weber defende que os fenômenos sociais são dinâmicos e mutáveis, ou seja, para o pensador há necessidade de interpretá-los. Nessa lógica, pode-se afirmar que o incentivo da mídia a violência e a justiça com as próprias mãos exige uma discussão mais ampla. Diante disso, cabe analisar tanto a incitação ao crime quanto a busca por audiência como fatores desse cenário, a fim de revertê-lo.

Considerando o exposto, convém pontuar o fomento à ação de justiceiros, que, tomados pelo sentimento de injustiça e impunidade, atuam à margem da lei. Nesse contexto, durante o III Reich, o controle das massas usou de discursos inflamados e antissemitas, por meio da propaganda nazista, para legitimar popularmente as condutas do governo. Desse modo, a influência da imprensa no comportamento dos indivíduos não é uma invenção atual.

Outrossim, vale salientar a irresponsável corrida pelo público, através do sensacionalismo, feita pelos canais de comunicação. À luz dessa ideia, de acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Não há como negar, portanto, que a indústria o medo usa de sua liberdade de expressão e de informação para desrespeitar o direito de presunção de inocência, garantido pela Constituição Federal brasileira.

Urgem, pois, intervenções pontuais para sanar essa problemática. Logo, a mídia, grande difusora de informação e principal veículo formador de opinião, deve promover campanhas educativas acerca do justiçamento como infração dos direitos humano e constitucional. Tal ação pode ser realizada por meio dos principais vetores midiáticos, como a televisão e as mídias sociais, a fim de cultivar valores isonômicos na sociedade. Com tais medidas, espera-se que o pensamento weberiano seja assimilado.