Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 30/06/2020

No jogo “The Last of Us 2”, controlamos a personagem Ellie, que busca vingança após perder um familiar, e no meio da jornada da protagonista, jogamos com a Abby, a responsável pelo assassinato desse ente querido da personagem principal, assim, é possível entender a motivação de ambos os lados da trama. Portanto, sabendo que a violência e a vingança  podem estar ligadas a um ponto de vista, esta opinião torna-se extremamente influenciável e perigosa. Em suma, é imperativo entender o debate acerca do autoridade da figura da mídia, originado pela precariedade da educação, e também da manutenção do ódio como ferramenta de controle mental.

A priori, é de fácil percepção a ausência de pensamento crítico ou análises rasas é mais comum em indivíduos com baixo nível educacional. “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.”, a frase dita pelo educador brasileiro Paulo Freire retoma a percepção da educação como fundamento de evolução social. Indubitavelmente, o descaso com esta ferramenta social é inaceitável devido aos processos que podem ser originados, tal como a violência.

Dessa maneira, é diagnosticável a existência do  abuso da carência de informação pelo meio de  estimulação do ódio incitado meios midiáticos. “A imprensa pode causar mais danos que a bomba atômica. E deixar cicatrizes no cérebro.”, o filósofo Noam Chomsky fomenta a ideia do perigo das relações de inteferência e alienação da população sob o controle da imprensa. Assim, o ódio estimulado deve ser considerado criminoso, e descumpre com a comunidade jornalista o dever básico da verdade.

Consequentemente, é imprescindível o uso das ferramentas de imprensa e comunicação de modo imparcial, afim de evitar a criação de mitos como “a justiça com as própias mãos”. Dessa forma, cabe ao Estado - em configuração do Ministério da Comunicação - tomar medidas que julguem uma limitação jornalística de até onde pode ser promivida a opinião particular do interlocutor, respeitando o espaço democrático e obviamente não promovendo uma censura, porém onde o cumprimento das atribuições jornalísticas é respeitado e não há promoção de atitudes que desrespeitem os direitos básicos dos cidadãos expressos na constituição, em conjunto com órgãos ligados ao meio jurídico que possam julgar atos que vão contra o interesse democrático, para que enfim haja uma diminuição dos casos de justiceiros e na falácia de que a violência é pode ser combatida com mais violência. Além das medidas citadas anteriormente, faculdades e universidades que tenham o curso de jornalismo devem promover mais vigorosamente a ética da imprensa, afim de evitar o aumento de uma alienção do consumidor da informação.