Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 28/06/2020
De acordo com a expressão “olho por olho, dente por dente” que pertence ao conjunto de leis do Código de Hamurabi, escrito há mil anos a.C, observa-se que o indivíduo poderia revidar a ofensa por meio da violência, o que no Brasil, é proibido por lei. Atualmente, vê se que a prática da justiça com as próprias mãos tem-se intensificado, uma vez que, a omissão do Estado e a mídia corroboram para a perpetuação desse quadro deletério.
Precipuamente, é fulcral pontuar que esse tipo de justiça deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne a criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre com êxito no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, o enfraquecimento dos órgãos de segurança pública e de justiça do Estado e a falta de punições severas traz indignação e um sentimento de revolta nas pessoas envolvidas, que acabam se tornando os próprios justiceiros. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a espetacularização da violência pela mídia como promotor do problema. Em decorrência desse pressuposto, as mídias sociais têm se tornado uma ferramenta importante para se cometer crimes na realidade, sobretudo através da divulgação de informações duvidosas ou imprecisas, excitando o ódio e a violência desbaratada a grupos minoritários. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que os processos midiáticos contribuem para essa problemática.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visam à construção de um mundo melhor. Dessarte, com o intuito de mitigar a violência incentivada pela mídia, necessita-se, urgentemente, que o Ministério da Comunicação contenha o excesso da valorização e exibição de conteúdos que exploram atos de brutalidade, por meio da criação de um Marco Regulatório da Comunicação, o qual estabeleça limites para veiculação de imagens e videos de violência extrema em canais abertos, com o objetivo de impedir a banalização de morte. Ademais, o governo deve propor medidas de fortificação da segurança das cidades com o aumento do número de policiais nas ruas e punições mais severas tanto à criminosos quanto aos justiceiros, para que a sensação de impunidade por parte da população diminua.