Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 12/06/2020

A saga de livros “Heróis do Olimpo”, de Rick Riordan, mostra como os semideuses inspiraram-se nas batalhas dos deuses para derrotar os gigantes. Hodiernamente, é notório que o cenário abordado na fantasia mitológica assemelha-se ao Brasil, onde muitas pessoas, estimuladas por notícias da mídia ou por histórias cinematográficas, praticam determinados atos, sejam relacionados ao justiçamento, sejam ligadas às práticas criminosas. Logo, urgem medidas realizadas pelo Governo e pela família para reverter essa situação de alienação da população.

Decerto, a justiça com as próprias mãos é incitada, bastantes vezes, por algumas notícias divulgadas de forma parcial. A título de ilustração, tem-se o filme “Kick-Ass 2”, o qual mostra como muitos indivíduos, após a mídia noticiar de forma estimulante os atos de um justiceiro, fantasiaram-se de heróis para combater os criminosos. Nesse sentido, observa-se o quanto a rede midiática pode influenciar no comportamento das pessoas, as quais têm a chance de ser persuadidas pelos filmes de ação ou de ficção científica, como os de heróis, que mostram esses justiceiros agindo sem as consequências da lei. Isso se deve, sobretudo, ao fomento nesse tipo de filme, sem focar nas obras que mostram as sequelas desses atos, alienando, assim, as pessoas. Dessarte, é premente que o Governo modifique esse cenário de indução ao justiçamento.

Ademais, muitos criminosos planejam seus atos com ideias vindas de obras cinematográficas. Nessa toada, tem-se o engenheiro químico brasileiro Rafael Fuller, o qual, segundo o site “g1”, passou a produzir droga sintética inspirando-se na série estadunidense “Breaking Bad”. Nesse contexto, nota-se como alguns indivíduos aderem certos ideais transmitidos pelos filmes e pelas séries ao seu comportamento, vendo neles uma forma de burlar as leis para se beneficiar. Isso se relaciona, em determinados casos, à falta de conversas da família e da escola com as crianças, sem mostrarem a elas os malefícios desses comportamentos e a importância de seguir as prerrogativas constitucionais. Diante disso, é perceptível a necessidade de as famílias intervirem nesse entrave.

Destarte, percebe-se que a incitação da mídia para atos errôneos deve ser combatida. Para isso, cabe à Secretaria da Cultura, em parceria com empresas privadas cinematográficas, por meio de uma banca avaliadora, selecionada por um concurso, fomentar a produção de obras mostrando as consequências dos indivíduos que optam pelo justiçamento, com o fito de mitigar os casos de pessoas que praticaram esse ato inspiradas nos filmes. Outrossim, cabe às famílias, junto às instituições de ensino, via conversas e debates, mostrar aos jovens a importância de diferenciar o fictício do real e de seguir as leis. Dessa forma, a incitação, como vista na saga literária, da mídia poderá ser reduzida.