Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 02/06/2020

No século XIX, o sociólogo francês Emile Durkheim abordou em suas obras o conceito de anomalia social a fim de atestar como as mudanças ocorridas naquele período proporcionaram um desequilíbrio estrutural proeminente. Essa desordem, segundo Durkheim, ameaçava a “harmonia social” e o bom funcionamento da sociedade. De maneira análoga à perspectiva do francês, a violência e a justiça com as próprias mãos incitada pela mídia é considerada um estado anêmico uma vez que desequilibra o corpo social brasileiro. Como comprovação da existência desse problema, têm-se na internet um mundo informativo o qual, diferentemente das redes televisivas, não separa o conteúdo de acordo com a idade tornando-o totalmente acessível á todos os conectados. Estes, por sua vez, comumente jovens, longe da supervisão dos pais, “brincam” com a violência em discursos e jogos, como: jogo da Asfixia e Baleia Azul. Tal fato é evidenciado no filme “Nerve”, pois retrata os perigos de ser influenciado pela realidade virtual, a qual os participantes submetem à desafios por dinheiro. Desse modo, esse tipo de situação é prejudicial pelos usuários, por causar influências violentas.

Vale salientar, também, no antigo Império Romano, as batalhas do Coliseu era a maior fonte de entretenimento da época, pois multidões reuniam para verem lutas até a morte dos gladiadores, a qual ficou conhecida como política do “Pão e Circo”. Nesse viés, paralelamente à realidade brasileira existem pessoas que praticam a violência com as próprias mãos, e algumas vezes consideradas pelos infratores um entretenimento. Isso se deve ao fato da internet ter mostrado cada vez que os criminosos recebem punições muitas vezes pouco dramáticas. De acordo com estudos recente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 70% dos ex-presidiários voltam a cometer crimes.

Dessa forma é possível concluir que diante de um estado pouco rígido, a população tende a tentar resolver os problemas da forma como acham e influenciadas pela mídia. É evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o problema. Assim, o Ministério da justiça em parceria com o governo, deve atentar para a imprensa, colocando regras de divulgação de notícias sobre violência e justiça com as próprias mãos, com punições mais severas aos infratores e criminosos perante as leis. Concomitantemente a isso, palestras deveriam ser realizadas em escolas e espaços públicos, de modo a evidências a importância da justiça penal e seus benefícios. Só assim, a sociedade contribuirá para a harmonia social de Emile Durkheim.