Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 09/06/2020

“Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”. Esta frase foi proferida por Joseph Goebbels, então ministro da Propaganda de Adolf Hitler, no contexto de um regime totalitário que vigorou na Alemanha no século passado. No entanto, apesar de vivermos em um Estado democrático de direito, percebe-se que a mídia, por seu potencial de formadora de opinião, acaba por incitar a violência e a justiça com as próprias mãos em nosso país. Nesse viés, é inquestionável tanto a irresponsabilidade midiática, como também a falta de senso crítico do público alvo da mesma.

É válido ressaltar, a princípio, que a mídia no Brasil goza de liberdade ímpar no que tange a divulgação de informações se comparada à mídia que já experiencia certa regulamentação, como é o caso na Alemanha. Não obstante, tamanha autonomia tem sido utilizada de maneira inconsequente, uma vez que cada vez mais âncoras de programas de rádio e televisão, por meio de suas infindáveis retóricas, incitam a população a se revoltarem contra as leis e o Estado de Direito. Desse modo, sem uma normatização midiática em nosso país que garanta a imparcialidade, é quase utópica a resolução da problemática.

Ademais, é evidente o déficit de análise crítica que a sociedade demonstra para com as mais diversas informações a que tem acesso. As eleições de 2018 ocorridas em nosso país podem ser um exemplo disso. O descontentamento da população com o governo anterior, somado à divulgação em massa de fake news pelas redes sociais, foram decisivos para eleição do atual presidente da república, Jair Bolsonaro. Nesse sentido, é explícito o quanto a opinião pública pode ser manipulada.

Portanto, medidas são necessárias para amenizar esse entrave. Logo, o Ministério da Educação, por meio de suas redes sociais, deve instruir a população lançando mão de posts e lives, quanto a análise das informações a que acessa, com o fito de evitar a disseminação da desinformação. Assim, é provável que a máxima de Goebbels não continue a assombrar as sociedades democráticas contemporâneas.