Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 30/05/2020

A mídia tem um papel fundamental na formação da opinião da grande massa populacional, em especial em países com altos níveis de vulnerabilidade social. É nesse contexto, então, que os veículos de comunicação, e seus comunicadores, muitas vezes, ganham destaque por, ao serem tendenciosos, incitar a violência e o fazer justiça com as próprias mãos. Nesse ínterim, a propagação de fake news e o constante ataque ao Estado de Direito perpetuam comportamentos inadequados na sociedade.

Em primeira análise, cabe destacar as fake news como uma das principais causas para gerar sentimentos de revolta e o surgimento de “justiceiros”. Embora a criação e a divulgação de notícias falsas sejam crimes, os efeitos advindos de sua propagação podem provocar revolta e violência. Nesse sentido, apesar de se supor que os resultados de uma eleição possam ter sido impactados por notícias duvidosas, a exemplo do que ocorreu nos Estados Unidos, os diversos veículos de mídia têm a responsabilidade de contextualizar a notícia, de agir com imparcialidade e de trazer elementos que norteiem a prática da justiça e da democracia.

Outro importante elemento de incitação à violência e ao fazer justiça com as próprias mãos é o constante ataque, por parte de grupos de comunicação, aos elementos do Estado de Direito. Assim, é preciso compreender que, ao ser formadora de opinião, a mídia deve enaltecer os elementos da democracia e os ritos legais que levem à justiça, por cidadãos e instituições competentes. Desse modo, os ideais políticos e a polarização devem ser atenuados para que se cumpra o bem comum.

Logo, diante da problemática debatida, para reduzir a violência e o sentimento de fazer justiça com as próprias mãos, medidas são necessárias. Diante disso, cabe aos poderes legislativo e judiciário, principais agentes de formulação e fiscalização da lei, por meio de propagandas, cartilhas e debates, criar mecanismos para regular a atividade dos meios de comunicação, sem permitir que o manto da liberdade de expressão cubra atividades deletérias para a sociedade.