Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 28/05/2020

Consoante ao filme “Homem-Aranha”, relata-se a história de uma criança que perde seus pais devido a um assassinato; com isso, anos depois, na sua adolescência resolve revidar o agressor. Nesse sentido, embora seja uma história fictícia, esse cenário representa a sociedade contemporânea, pois, geralmente, a mídia incita a violência e a justiça com as próprias mãos. Nesse viés, essa ação tem gerado impactos no país que precisam ser solucionados. Diante disso, deve-se analisar a ausência de debates nas escolas para orientar os alunos a não disseminarem atos hostis e a falta de leis efetivas, a fim de punir quem estimula a agressão no Brasil.

Em primeiro lugar, a ausência de debates nas escolas para orientar os alunos a não disseminarem atos hostis é uma problemática. Isso decorre do modelo pedagógico que prioriza ensinar aos jovens conteúdos que são cobrados em provas, ou seja, assuntos extraclasses são praticamente inexistentes em salas de aula. Ademais, com a presença da mídia e da internet torna-se mais fácil divulgar acontecimentos que geram sentimentos de revolta nos cidadãos, visto que as redes sociais facilitam a propagação mais rápida de uma notícia. Nessa lógica, em consonância com o filósofo Habermas, qualquer problema é solucionável com o diálogo; por isso, para evitar a ocorrência de “justiceiros” no tecido social é fundamental que professores organizem atividades para solucionar a prática da violência com as próprias mãos.

Em segundo lugar, a falta de leis efetivas, a fim de punir quem estimula a agressão no Brasil também é um problema. Isso porque, na busca por quem consegue mais audiência ou seguidor, muitas das vezes, jornalistas, blogueiros e influenciadores digitais desrespeitam o sigilo até a investigação judicial de um caso. Consequentemente, esses canais colaboram com a incitação da violência, nesse raciocínio, pessoas que se sentem no direito de punir o “vilão”  da maneira que julgam ser correta estão também contra o princípio  da integridade humana, como previsto na Constituição de 1988. Logo, para sanar ou diminuir esses impasses é preciso a criação de uma legislação no intuito de punir indivíduos que usam do meio de comunicação para comoverem o sentimento de rivalidade dos cidadãos comuns.

Por fim, após os argumentos citados, é necessário medidas para reverter essa problemática no país.

Portanto, em análise com Habermas, as escolas devem organizar aulas temáticas, por meio de palestras, debates e filmes, a exemplo do Homem-Aranha, para despertar o senso crítico dos estudantes e informa-los que cabe somente a justiça, o papel de punição, essa ação pode ter melhor resultado com a criação de uma lei que pune a disseminação da justiça com as próprias mãos, com a finalidade de tornar o ato de “justiceiro” apenas fictício e escasso no tecido brasileiro.