Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 22/05/2020
Em pesquisa realizada por contribuintes da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, e seus resultados publicados na revista “Science” em 2002, quanto maior o tempo gasto vendo televisão, maiores as chances de praticar atos violentos. Nesse sentido, é natural a preocupação com os efeitos da exposição midiática, já que esta pode incitar violência e a justiça com as próprias mãos, uma vez que supervaloriza esses atos e explora-os de forma constante.
Nesse contexto, a série “Os 13 porquês”, lançada pela plataforma Netflix, suscitou debates ao contar a história da protagonista Hana, garota que comete suicídio e deixa fitas gravadas àqueles que levaram-na a cometer o ato como consequência do “bullying” que sofria. A partir disso, a adolescente é vista como “corajosa” e, sua atitude, vista como exemplo, acaba por estimular outros jovens na mesma situação a repetir sua ação. Dessa forma, a supervalorização da violência incita sua reprodução, oferendo riscos aos espetadores.
Ademais, segundo pesquisa realizada pela Universidade Clemson, nos EUA, houve um aumento expressivo de ataques em escolas após o atentado na escola Columbine, em 1999, no qual ex-alunos atiraram contra estudantes e professores, motivados pelo “bullying” que sofriam. E, depois de intensa cobertura midiática do ataque, séries televisivas voltaram a abordá-lo, sendo essa abordagem considerada inspiração para o ocorrido em Suzano, SP, em 2019. Desse modo, a exploração constante do tópico incentivou jovens a buscarem justiça com as próprias mãos, já que se viram desamparados pela comunidade escolar.
Portanto, tem-se que a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos, já que supervaloriza essas atitudes e insiste em sua exibição. Logo, cabem às plataformas independentes o diálogo com psicólogos ao explorarem temas sensíveis para o público, com o fito de tratá-los de forma saudável. Além disso, compete ao Poder Público explicitar às famílias a importância da classificação indicativa dos programas exibidos, por meio de campanhas publicitárias divulgadas nas redes sociais e em intervalos de emissoras televisas, a fim de proteger crianças e adolescentes de tamanha exposição, limitando seu tempo em frente à televisão.