Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 22/05/2020

Na lógica do filósofo Thomas Hobbes,a função principal do Estado é garantir a segurança social,pois o homem abdicou de suas liberdades individuais a fim de não viver o medo constante da morte.Entretanto,no Brasil,a mídia tem sido utilizada para estimular a criminalidade e a justiça com as próprias mãos,evidenciando que há falhas nesse contrato social.Esse panorama aflitivo incita uma ação expressiva do Governo e da sociedade civil,em prol de combater a violência,de maneira efetiva,no País.

Efetivamente,a cidadania é um conjunto de deveres e de direitos exercidos por um indivíduo que vive em sociedade,entre esses deveres,destaca-se o cumprimento das leis.Contudo,no convívio social brasileiro,a incitação ao crime está sendo,muitas vezes,resguardada pela liberdade de expressão e de informação jornalística.Tal fato fere o contrato entre o Estado e a sociedade,exposto por Thomas Hobbes,uma vez que a justiça com as próprias mãos contradiz o princípio de que o direito ao uso da força para a proteção do povo é um monopólio estatal.Nesse contexto,é notória a negligência de muitas escolas e famílias quanto a desconstruir a concepção de “justiceiro” nos indivíduos e a promover a noção de cidadania,visto que são instituições que geram grande influência sobre a sociedade.

Ainda sob esse viés,vale ressaltar que,de acordo com o Artigo 3° da Constituição Federal de 1988,um dos objetivos da República é construir uma sociedade livre, justa e solidária.Apesar disso,diversos meios de comunicação de massa,em busca de audiência,incentivam o sentimento de revolta na população,pois,segundo a lógica da Indústria Cultural,a mídia tem poder para difundir e consolidar ideologias,além de levar pessoas à alienação.Nessa óptica,vê-se que esse mecanismo jurídico ainda não é suficiente para garantir a construção de uma sociedade pacífica.

Portanto,urgem medidas que combatam o uso da mídia para incitar a violência e a justiça com as próprias mãos.Para tanto,cabe às escolas e às famílias,por meio,respectivamente,de palestras e de diálogos que discursem sobre a importância da cidadania,estimular o cumprimento das leis,a fim de coibir a justiça com as próprias mãos e incentivar o respeito ao monopólio estatal.Ademais,compete ao Governo,mediante o Ministério Público e da Justiça, apurar e punir a atitude daqueles que incentivam a violência e a ação à margem da lei,com o fito de mitigar a criminalidade e a insegurança no País.