Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 08/06/2020
Na franquia ‘‘Jogos vorazes’’, é mostrada uma sociedade pós apocalíptica na qual é comum a prática e o estimulo à violência. Todavia, não é somente na ficção que atos de incitação a agressividade ocorrem, dado que, segundo o site jus.com, 70% dos seus entrevistados já alegaram que ao menos uma vez já presenciaram uma cena de algum programa televisivo que estimulava a justiça com as próprias mãos’’. Desse modo, cabe debater como essa ação corrobora para o aumento da violência e como está mazela pode ser mitigada.
De início, deve-se ressaltar que, de acordo com Émile Durkheim, fato social é a forma como uma prática tende a ser normatizada na medida em que é recorrentemente defendida ou abordada. Dessa maneira, a forma como a mídia utiliza de seu poder informativo para incitar a agressividade é prejudicial para a sociedade na medida em que cria justificativas para ações violentas, dando ao agressor uma argumento para a causa seus crimes. Dessarte, tal ato contribui para o aumento de casos de ‘‘justiça com as próprias mãos’’ e também para o uso de pretexto para atrocidades.
Em segundo lugar, vale destacar que para Thomas Hobbes, o estado da natureza (período no qual as discordâncias entre pessoas podia ser resolvido somente por meio de disputas sangrentas) só foi superado com a criação do Estado e das leis. À vista disso, no momento no que os meios midiáticos tentam desmoralizar o papel do órgão susodito, eles estão fazendo a sociedade regredir a uma anarquia, visto que, sem a crença em uma entidade pública capaz de proteger os cidadãos, os mesmo sentem que podem contar apanas na sua própria força. Destarte, a favorecer o surgimento de uma sociedade marcada pelo medo e pela descrença nas leis.
Portanto, são necessária medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, cabe a união criar medidas que apoiem financeiramente meios midiáticos que não utilizam de mensagens que estimulam a violência, junto ao fortalecimento dos órgãos responsáveis pela segurança pública. Isso pode ser feito pelo uso da verba do Estado para patrocinar somente jornais que não incentivem a crueldade contra outras pessoas, somado a uma maior contratação de agentes de segurança e ao melhoramento na eficiência dessa área. Dessa forma, a incentivar os programas televisivos a evitar incitar a desordem e a criar um maior senso de confiança na eficiência do governo em proteger seu povo. Assim a criar um corpo social que não banalize crimes violentos, e com isso evitar que o que ocorreu na obra supracitada não se repita em nossa comunidade.