Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 17/05/2020
Embora a Constituição Federal de 1988, ordenamento de maior hierarquia no sistema judiciário brasileiro, assegure a liberdade de imprensa e a liberdade expressão, percebe-se que na prática tais direitos tornam-se nocivos quando utilizados para incitação à violência no contexto atual, que decorre do papel exercido pela mídia e a escassez de políticas públicas nesse âmbito. Desarte, urge a necessidade de buscar subterfúgios viáveis à reversão dessa perspectiva deletéria da sociedade contemporânea.
A princípio, é válido salientar a influência exercida pela mídia na problemática. Desse modo, o advento da grande mídia democratizou a ignorância, conforme o filósofo Olavo de Carvalho, uma vez que a imprensa torna-se um meio para a disseminação do radicalismo que desperta o sentimento de revolta da população na defesa de seus ideais, de forma análoga ao jornal do Marat no período da Revolução Francesa, impactando forma veemente na construção de uma sociedade intolerante. Além disso, vale destacar a atuação passiva do Estado frente a problemática em questão. Uma vez que resquícios do modelo arcaico da Lei de Talião ainda é uma árdua realidade, ao passo que a necessidade de se fazer justiça com as próprias mãos ainda é um comportamento atual potencializado pela mídia. Porém, a escassez de políticas públicas que visem a punição dos infratores contribui para a manutenção desse cenário caótico, porém mutável.
Portanto, faz-se mister estagnar a influência da mídia na construção de uma sociedade intolerante e violenta. Para tanto, é necessário que o Estado, no usufruto de recursos públicos, invista na criação de uma plataforma virtual, que vise a fiscalização de conteúdos de incitação à violência vinculados pela mídia, bem como a aplicação de sanções cabíveis com o fito de modificar gradualmente esse comportamento. Desse modo poderá ser revertida a problemática em questão e sanada esse aspecto deletério da sociedade vigente.